A diáspora polonesa no Brasil


Joaquina Pires-O’Brien

A minha primeira visita à Polônia de 17 a 24 de setembro de 2011 aumentou a minha curiosidade para com esse país e os seus habitantes bem como com a diáspora polonesa no Brasil. Dentre as diversas informações que encontrei na internet sobre a diáspora polonesa no Brasil, a monografia de Zdzisław Malczewski  intitulada “Os Poloneses e seus Descendentes no Brasil: Esboço Histórico e Situação Atual da Colônia Polonesa no Brasil” é sem dúvida um dos  documentos mais completos sobre o assunto. O que escrevo a seguir foi retirado desta e de outras fontes diversas.

Conforme mencionei anteriormente, o desfile folclórico do povo pomerano que eu assisti pela televisão no domingo dia 18 de setembro, me fez lembrar uma apresentação folclórica dos pomeranos capixabas que uma vez assisti em Vitória durante uma Festa dos Municípios da década de setenta. O desfile prosseguiu durante duas horas, apesar da chuva; a maioria dos participantes segurando seus guarda-chuvas. O desfile era muito bonito e cheio de carros decorados com pessoas vestidas com seus trajes tradicionais. Já que a Pomerânia é uma região da Polônia e não da Alemanha,  por que os pomeranos do Espírito Santo são comumente referidos como imigrantes alemães?  A resposta a essa pergunta encontra-se no próximo parágrafo.

Sobre os Pomeranos e a Imigração Polonesa no Brasil. Se a Pomerânia é uma região da Polônia, porque os pomeranos do Espírito Santo são comumente referidos como imigrantes alemães? A resposta da pergunta acima é encontrada na cultura da nação pomerana e não na nação-estado onde a Pomerânia se situa.  No período entre 1831 e 1870, que entrou para história como a “Grande Emigração” polonesa, a qual incluiu a emigração de ucranianos uma vez que a Ucrânia fazia parte do território polonês, e de judeus, a Polônia havia desaparecido do mapa como estado independente (entre 1795 e 1914) e sua maior parte encontrava-se sob o domínio da Rússia. A instabilidade política mais a enorme repressão foi o motivo da emigração em massa dos poloneses não só para o Brasil, mas para outras partes da Europa e para as três Américas.

Os pomeranos (em língua pomerana Pommerer ou Pomerisch, palavra derivada do alemão que significa ‘habitante da terra das maçãs’) vivem na região histórica da Pomerânia ao longo da costa do Mar Báltico entre os rios Oder e Vístula e formam uma etnia descendente de tribos eslavas e germânicas. O pomerano é uma língua baixo saxônica contendo diversos dialetos. Os pomeranos que imigraram para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo, eram todos falantes do pomerano ocidental.

Embora hoje em dia a  Pomerânia encontre-se quase inteiramente na Polônia –uma pequena área se adentra para a Alemanha–, não era assim na época da imigração, quando parte da Polônia era governada pela Rússia, pela Prússia e pela Áustria.  A Polônia sofreu três partições do seu território: em 1772, 1793 e 1795. A partição de 1772 fez com que a Polônia perdesse territórios para a Áustria a Prússia e a Rússia. A segunda partição de 1793 resultou em outras perdas de território para a Rússia e a Prússia. A terceira partição de 1795 permitiu que a Rússia anexasse todo o território a leste dos rios Niemen e Bug, enquanto que a Áustria ficou com quase toda a Pequena Polônia , incluindo a Cracóvia, e a Prússia ficou com o restante, incluindo Varsóvia. Em decorrência dessa última partição a Polônia sumiu do mapa durante 123 anos, e em decorrência do Congresso de Viena, 1814-15, a maior parte do território da antiga Polônia foi anexado ao Império da Rússia, sob o governo de Catarina II (a Grande).

Independentemente do país-estado onde a Pomerânia se situa é inegável a influência germânica sobre a mesma. Tal influência é também percebida pela religião: os pomeranos, assim como os alemães, tendem a ser luteranos, enquanto que os poloneses são em geral católicos. A imigração pomerana no Espírito Santo em 1873 consistiu de 60 famílias descritas como ‘cidadãos alemães oriundos da Prússia, da Pomerânia e da Silésia’.  Um dos motivos que levou os pomeranos a emigrar foi a perseguição que sofreram devido à sua condição de grupo étnico minoritário.

Tanto o governo imperial do Brasil quanto o governo da nova república eram favoráveis à imigração, como forma de aumentar a mão de obra para a lavoura. Os estados do sul do Brasil, de São Paulo ao Rio Grande do Sul foram o destino preferido  dos imigrantes não só da Polônia quanto de outras partes da Europa central e leste. A imigração polonesa no Brasil começou ainda na década de 1820 no interior de São Paulo, e em Santa Catarina, nas cidades de Joinville e Blumenau. Entretanto a primeira leva significativa de imigrantes poloneses ocorreu na década de 70 do século XIX, em Santa Catarina (Blumenau) e Rio Grande do Sul,  numa leva de imigrantes que incluía alemães, russos, ucranianos e italianos.  Em 1873 chegaram ao Espírito Santo 60 famílias oriundas da Prússia, da Pomerânia e da Silésia e que se descreviam, ou eram descritas, como sendo alemães.  Eles fizeram parte da onda migratória da Polônia, que diminuiu nos próximos anos para e tornou a aumentar entre 1895 e 1896.  Segundo Malczewski  entre 1897 e 1905 chegaram ao Brasil 8 mil poloneses do Reino da Polônia, e cerca de 24 mil pessoas chegaram nos dez anos seguintes, enquanto que em 1914, 100 mil poloneses imigraram para o Brasil para fugir do serviço militar do exército imperial russo. As décadas de 1920 e 1930 trouxeram ao Brasil mais 41,2 mil indivíduos poloneses. O meu próximo blog irá trazer um resumo da história da nação-estado da Polônia.

3 comentários sobre “A diáspora polonesa no Brasil

  1. Jo:
    gostei muito do artigo acima sobre a imigração polonesa no Brasil. Embora pouco conheça a história e a cultura polonesa, minha admiração pela obra de Conrad, além dos horrores que me inspiram as opressivas relações históricas entre a Polônia, a Rússia e a Alemanha, ampliam me interesse pela história desse povo tão admirável e sofrido. Aguardarei o próximo artigo. Um abraço,
    Fernando.

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