A Linguagem do Sucesso


Joaquina Pires-O’Brien

Os problemas da comunicação deficiente afetam tanto os indivíduos quanto as organizações. Empregadores costumam reclamar da dificuldade em obter pessoal capaz de redigir bem cartas e documentos do trabalho. Professores reclamam que a superlotação das salas de aula não lhes permite aplicar mais redações e provas discursivas. Cada um de nós, com certeza, já vivenciou alguma situação de fracasso na comunicação com pessoas da própria família e com pessoas do seu trabalho. É indiscutível que o bom ajuste na sociedade requer saber como comunicar bem.

 Language in Coaching and for Best Results (A Linguagem no Treinamento Pessoal e para Melhores Resultados, tradução livre) é o título de um seminário oferecido pelo Instituto de Linguística de Londres, do qual eu participei. A palestrante era uma profissional autônoma que treina profissionais a usar criatividade na comunicação com as outras pessoas e o objetivo do seminário era mostrar como o uso de melhores técnicas de comunicação poderia ajudar tradutores e outros profissionais autônomos. O tópico principal abordado foi o sistema de comunicação da linguagem sensorial. Antes de prosseguir, quero ressalvar o motivo pelo qual optei pela palavra ‘linguagem’ e não pela palavra ‘língua’ ao traduzir a palavra ‘language’, que no inglês tem os dois sentidos. É que domínio da palavra ‘linguagem’ é maior do que o domínio da palavra ‘língua’, pois ‘linguagem’ engloba a língua e os outros sistemas de comunicação associados.

Tanto a língua quanto a linguagem são repletas de ambiguidades. Entretanto, as ambiguidades da língua e da linguagem são também instrumentos da retórica, a ciência da persuasão ou a arte de ‘falar bem’. Ensinada desde a antiga Grécia, a retórica teve um espaço importante na educação até a renascença, quando passou para as áreas restritas da filosofia, psicologia e sociologia. O fato da retórica não mais fazer parte do sistema educacional teria criado o nicho de mercado do treinador (coach) em comunicação criativa, que ensina como adequar a nossa linguagem ao sistema de comunicação sensorial.

 No seminário a que compareci a palestrante mostrou a influência dos nossos sentidos – tato, paladar olfato, audição e visão – na linguagem. Cada pessoa enfatiza de forma diferente os seus sentidos. Há pessoas que têm um senso muito apurado de audição e outras que têm uma maior capacidade no aspecto visual ou no olfato, e pessoas que são altamente táteis. Existem também existem as pessoas “cinestésicas”, que tem afinidades com movimentos, gestos, mímicas. Os sentidos também se combinam de uma maneira diferente em cada pessoa. Estas premissas permitem deduzir que cada pessoa tem uma linguagem sensorial própria, que o bom interlocutor deve tentar decifrar a fim de melhorar a sua comunicação.  Assim, uma pessoa que tende a usar frases do tipo ‘isso não me cheira bem’, seria um utilizador da linguagem olfativa. Uma outra pessoa que diz ‘eu não vejo porque isso seria problema’, seria um utilizador da linguagem visual, e assim por diante. A lição pode ser  resumida na seguinte frase: ‘o segredo da comunicação eficaz é afinar a nossa própria linguagem com a linguagem sensorial do nosso interlocutor’. Entretanto, não vamos nos esquecer que a percepção da  linguagem sensorial é uma vantagem extra. O arroz com feijão da boa comunicação continua sendo o léxico e a gramática.

Agradecimento: Carlos Pires, revisor

Um comentário sobre “A Linguagem do Sucesso

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s