O surgimento do Alfabetoa


A Pictografia e a Escrita Cuneiforme
A invenção da escrita há cerca de cinco mil anos, marcou o início da história propriamente dita. A escrita primitiva era feita através de desenhos e surgiu em torno de 3300 a.C. na Mesopotâmia. O alfabeto foi inventado bem mais tarde, em torno do ano 1400 a.C. na Fenícia, país situado na região do Crescente Fértil, ao norte da antiga Canaã, atual costa do Líbano e província de Tartus na Síria.

A primeira forma sistematizada de comunicação gráfica através de sinais é designada pictografia. Entretanto, diversas civilizações do novo mundo, como a dos maias, também desenvolveram a escrita pictográfica. Os hieróglifos egípcios, hititas e cretenses são uma forma de pictografia. A primeira escrita própria, onde os símbolos representavam sílabas, foi a escrita cuneiforme, desenvolvida em Uruk (Erech, na bíblia), na Suméria. A escrita cuneiforme de Uruk foi logo adotada no reino da Acádia, onde sofreu algumas modificações pelos elamitas, huritas, hititas, urartianos e diversos outros povos. No ano 1400 a.C. a escrita cuneiforme era a escrita padrão do comércio internacional ocidental.

O Primeiro Alfabeto
Os fenícios(1), que também são conhecidos como cananitas do norte ou amoritas, são creditados com a invenção do alfabeto e com o aperfeiçoamento da arte naval. O alfabeto, definido como sendo um conjunto de sinais ou caracteres gráficos associados a sons, surgiu em Ugarit em torno do ano 1400 a.C. Adaptado dos sinais da escrita cuneiforme, o alfabeto de Ugarit consistia de 30 letras e era destituído de vogais. Em função do seu emprego na contabilidade do comércio naval, o alfabeto foi aperfeiçoado em Biblos, passando a ter 22 letras.

Até 1400 a.C. os fenícios dividiram com o Império Minoano, da Ilha de Creta, o domínio do comércio naval. Em torno de 1400 a.C. o império Minoano foi destruído por uma erupção vulcânica, e após esse acontecimento os fenícios ganharam a hegemonia sobre o comércio naval. A escrita encontrada pelos arqueólogos em Creta é hoje reconhecida como sendo derivada do alfabeto fenício original (2). De fato, o alfabeto fenício serviu de base para os primeiros alfabetos hebraico, sírio, arábico e grego, que inicialmente eram também desprovidos de vogais. O fato do grego arcaico ser escrito da direita para a esquerda, também corrobora a sua origem a partir do alfabeto fenício.

Os fenícios exploraram o Mediterrâneo e além, criaram colônias no norte da África (Cartago) e na Península Ibérica, e iniciaram as primeiras caravanas mercantes para a Ásia. Entretanto, eles não eram originalmente um povo do mar, mas aprenderam a navegar com outros povos. Donos de um espírito altamente empreendedor, os fenícios tomaram emprestado os modelos de barcos cretenses e egípcios e aperfeiçoaram-nos. Foram eles que desenvolveram navios de cascos redondos, que resistiam melhor os desafios do mar. A focalização extrema no comércio fez com que os fenícios negligenciassem a organização de um Estado político capaz de proteger as suas cidades livres como Biblos, Tiro e Sidônia, bem como as suas colônias na costa africana e na Península Ibérica, contra os inimigos invasores.

Biblos foi uma das cidades fenícias mais importantes, habitada desde o início do Neolítico e associada às lendas homéricas. Biblos tinha o maior dos portos e era o principal receptador do papiro egípcio, do qual ganhou o nome. Tira, na Síria atual, foi fundada no início do terceiro milênio a.C. era a mais rica da Fenícia, devido ao número de colônias que mantinha e à indústria têxtil. Sidônia, no Líbano atual, localizava-se num local habitado desde o segundo milênio a.C., tinha uma indústria de vidro e era um importante porto pesqueiro. O zênite da civilização fenícia ocorreu no sétimo século a.C., após o qual começou a declinar. A falta de união entre suas diversas cidades independentes não permitiu que organizasse uma boa defesa contra os ataques de outros povos.

O alfabeto representou um salto na escrita cuneiforme desenvolvida na Babilônia no final do 4º milênio a.C., por sua vez considerada um avanço em relação à escrita pictográfica. Apesar de terem inventado o alfabeto, os fenícios não se preocuparam em deixar uma história gravada para a posteridade. A sua historiografia foi totalmente recriada através de evidências indiretas. Através da evidência linguística, sabemos que os fenícios tinham uma deusa da guerra, Astarte, cujo nome lembra a ‘Ishtar’ dos mesopotâmios, e da qual também deriva o nome da deusa cananita ‘Anat’, conhecida como ‘Senhora’, sendo venerada em Tiro, Sidônia e Cartago.

Notas
1 Segundo a narrativa da Bíblia a impiedade dos amoritas (cananitas do norte), que eram também povos semíticos, foram a causa da punição divina aos israelitas (cananitas) tornando-os cativos no Egito.

2 Depois que o arqueólogo inglês Arthur Evans identificou as três escritas – linear A, linear B e hieroglífica – do antigo império Minoano da ilha de Creta, Evans e seus seguidores pensaram que se tratavam de uma escrita original, da qual o grego teria se originado. No antigo palácio da cidade de Knossos, descoberto em 1900, os arqueólogos recolheram cerca de 3000 tabletes de barro, a maior parte em escrita em linear B e com um conteúdo estritamente comercial. Entretanto, mais tarde foi reconhecido que a escrita linear B era uma forma do grego e que havia surgido em torno de 1450 a.C. Evans cometeu o mesmo engano na sua análise da escrita encontrada no Chipre, datada de 800-200 a.C., afirmando que se tratava de uma escrita derivada da linear B minuana. Entretanto, a decifração da escrita cipriota já havia sido feita em 1871, devido a diversas amostras de textos bilíngues em cipriota e grego. O grande problema que os linguistas tiveram foi reconhecer que a escrita cipriotas não era baseada num alfabeto mas sim em símbolos de sons. Uma vez reconhecido isso os peritos concluirão que a escrita cipriota era um dialeto do grego.
Outra escrita alfabética que foi incorretamente interpretada como tendo origem independente foi a dos etruscos, moradores da antiga Etrúria, atualmente a Toscana italiana. Eventualmente os especialistas reconheceram que a escrita etrusca havia também se originado do grego, tendo sido levada para a Etrúria pelos colonizadores gregos que foram para a Itália em torno de 750 a.C. Acredita-se que os etruscos também tiveram contato com o fenício, pois o seu registro arqueológico inclui inscrições bilíngues em etrusco e fenício.

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