Francisco de Miranda y Rodriguez. O idealizador da independência da América Espanhola


Francisco de Miranda y Rodriguez (1750-1816), conhecido simplesmente como Miranda, foi o precursor da independência da América hispânica e mentor intelectual dos libertadores. Miranda é também apontado como o principal disseminador da maçonaria na América Latina, da qual ele se posicionou para unir os líderes revolucionários em torno da causa da independência.

Nascido de uma abastada família de comerciantes provenientes das Canárias, o desejo do jovem Miranda era fazer uma carreira militar. Julgando que teria melhores chances na Espanha mudou-se para lá aos vinte e um anos de idade. Na Espanha ele continuou a sua educação procurando se familiarizar com os grandes escritores da época. Após ter se alistado no exército espanhol em 1771 ele serviu como capitão no Regimento de Infantaria. A sua primeira missão foi a defesa de Melilla, território espanhol ao norte da África, lutando contra o sultão do Marrocos. Entre 1773 e 1775 ele serviu em Madrid, Argel, Granada e Cádiz. Em abril de 1780 ele foi para Havana onde foi nomeado capitão do Exército de Aragão e segundo ajudante de campo do General Juan Manuel de Cajigal y Montserrat. Sob o comando de Cajigal, Miranda participou da tomada de Pensacola, no oeste da Flórida, que havia sido ocupada pelos ingleses. Após a vitória dos espanhóis ele foi promovido por bravura a tenente-coronel. O General Cajigal enviou-o para a colônia britânica da Jamaica, para uma missão de troca de prisioneiros. Em 1782 Miranda participou da expedição de conquista colônia britânica Las Bahamas de onde ele conduziu a negociação de rendição dos ingleses.

Miranda foi acusado pela Inquisição de posse de livros e quadros proibidos. Pouco depois ele foi preso por ter permitido a visita do General Campbell a Cuba, embora conseguisse ser solto com a ajuda do General Cajigal. Em 1783 ele foi obrigado a fugir da pátria pela qual havia lutado durante tantos anos, chegando aos Estados Unidos no dia 10 de julho. Lá ele teria tomado conhecimento do processo da revolução de independência e conheceu importantes personagens como George Washington, Alexander Hamilton, Henry Knox, Thomas Jefferson, Samuel Adams, Gilbert de la Lafayette e Thomas Paine. Nos Estados Unidos ele também conheceu Juan Bolívar, o pai de Simão (Simón) Bolívar, e outros refugiados de Caracas.

Em 1784 Miranda partiu para a Inglaterra e fez de Londres a sua base, de onde se empenhou em aprender latim, grego e outras línguas, antes de iniciar uma viagem de aprendizado pela Europa, Ásia Menor e Egito. Na Inglaterra ele conheceu o Primeiro Ministro William Pitt, e procurou convencê-lo a apoiar a causa da independência das nações hispânicas na América. Durante a sua turnê Miranda fez amizades com vários notáveis. Há relatos não documentados de que ele teria usado o pseudônimo de ‘Meeroff’ durante uma turnê pela Holanda, Bélgica, Alemanha e Suíça. Em setembro de 1788 ele fez duas viagens a Marselha, França, lá retornando em fevereiro de 1789 quando participou da redação do primeiro documento de direitos humanos, juntamente com Thomas Payne e outros.

Em 1791 Miranda participou da Revolução Francesa e travou amizade com indivíduos pertencentes à facção moderada dos Girondinos, que se opunha à facção radical dos Jacobinos. Em 23 de março de 1792, Miranda mudou-se para a França quando esta se encontrava em plena revolução. Lá Miranda estabeleceu relações com o prefeito de Paris Jerome Petion. Embora tivesse até sido nomeado general da República Francesa, em 1793, depois que os jacobinos ganharam o poder e Robespierre implantou o seu Regime do Terror, Miranda foi preso acusado de conspirar contra a república, mas depois foi inocentado pelo Tribunal Revolucionário. Entretanto Miranda foi novamente preso e permaneceu na prisão La Force mesmo depois da queda de Robespierre. Tendo sido solto no ano seguinte Miranda ainda permaneceu na França por algum tempo antes de retornar à Inglaterra em 1798.

Em 1805 Miranda partiu para os Estados Unidos, onde esteve com o Presidente Jefferson e com James Madison, o então Secretário de Estado. Contando com a ajuda britânica em 1806 Miranda liderou a primeira tentativa de libertar o seu país do jugo espanhol, mas tendo fracassado ele fugiu e se refugiou no Haiti. Lá ele tentou organizar o movimento de independência, mas frustrado com a indiferença dos caribenhos, em 1807 ele retornou aos Estados Unidos. De lá seguiu de volta para a Inglaterra, onde se ocupou escrevendo artigos para uma revista. Durante sua última fase em Londres Miranda promoveu reuniões com outros líderes revolucionários de toda a América.

Miranda retornou a Caracas em 10 de dezembro de 1810, sendo recebido calorosamente pela população ao desembarcar em La Guaira. Pouco depois ele foi nomeado Tenente Geral dos Exércitos da Venezuela e logo em seguida Promotor da Sociedade Patriótica. Em 1811 participou da Assembleia Constituinte da primeira república.

As tropas realistas comandadas por José Tomás Boves atacaram as tropas de Miranda, que foi preso e levado para a Espanha, onde morreu na prisão de La Carraca em 24 de julho de 1816. Os pormenores dessa derrota implicam Simon Bolívar em ter falhado em mandar ajuda militar para Miranda. Entretanto, esse é um tópico que ainda requer uma pesquisa isenta a fim de ser totalmente esclarecido.

Miranda foi o verdadeiro percursor da independência da América espanhola e o mais bem preparado de todos os demais heróis da independência da América espanhola. O seu nome encontra-se gravado junto ao de outros revolucionários no Arco do Triunfo, em Paris, e uma estátua sua foi colocada na Fitzroy Street, em Londres.

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