Sobrenomes usados por cristãos novos brasileiros processados pela Inquisição

De acordo com Flávio Mendes de Carvalho, autor do livro “As raízes judaicas no Brasil” uma boa parte da população do Brasil colonial era formada por judeus convertidos. Nesse livro Carvalho apresenta a seguinte relação dos sobrenomes de cristãos-novos, brasileiros ou residentes no Brasil, condenados pela Inquisição nos séc. XVII e XVIII e que constam nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa.

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Ávila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo B

Bacelar Balão Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirão Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Bragança Brandão Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhão

C

Cabaco Cabral Cabreira Cáceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrão Callado Camacho Câmara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Cárceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Cásseres Castenheda Castanho Castelo Castelo Branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Céspedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaço Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilhã Crasto Cruz Cunha D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faísca Falcão Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijão Feijó Fernandes Ferrão Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaça Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Francês Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvão Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilão Gil Godinho Godins Goes Gomes Gonçalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmão Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordão Jorge Jubim Julião

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leão Ledesma Leitão Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucão Loureiro Lourenço Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhães Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marçal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melão Mello Mendanha Mendes Mendonça Menezes Mesquita Mezas Milão Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morão Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixão Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proença

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarém Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrão Serveira Silva Silveira Simão Simões Soares Siqueira Sodenha Sodré Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Trindade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valença Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalão Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga

Fonte: http://www.coisasjudaicas.com/2009/05/sobrenomes-usados-por-cristaos-novos.html#axzz2VFOxZKwX

P.S.

Para mais informações sobre os judeus ibéricos leiam também a última nova edição da revista cultural PortVitoria, voltada à diáspora da cultura ibérica em todo o mundo: http://www.portvitoria.com/

Sobre os judeus ibéricos, conversos e a Inquisição

Editorial da nova edição de PortVitoria: http://www.portvitoria.com/index.html

Esta edição de PortVitoria é sobre os judeus ibéricos, assunto que tem aparecido na mídia desde 2014, quando Portugal passou uma lei concedendo cidadania para os descendentes das suas populações de judeus expulsos em 1497, e, cuja regulamentação foi aprovada no final de janeiro de 2015. Esse marco histórico foi capturado por Norman Berdichevsky, cujo artigo revisita as tentativas de Portugal de fazer reparações aos judeus durante o século XX.

‘Os judeus assentaram-se na península ibérica antes da chegada dos fenícios por volta de 900 AEC (Antes da Era Comum). Mercadores judeus assentaram-se ao longo da costa da Espanha durante o reinado do rei Salomão, quando essa região era chamada Tarsus, ou Tarshish.’ Isso é um trecho do artigo de Ivone Garcia, uma sinopse da história dos judeus da península ibérica, republicado do portal da Associação dos Criptojudeus das Américas.

Como resultado de novas descobertas em arqueologia e linguística, e de melhorias nos métodos analíticos, a história dos judeus está sendo reescrita a fim de se integrar ao sistema de história mundial. O livro ‘Out of Arabia. Phoenicians, Arabs and the Discovery of Europe’ (Saída da Arábia: Fenícios e Árabes e a Descoberta da Europa) de Warwick Ball, de 2009, resenhado nesta edição, também menciona que a localidade bíblica Társis ou Tarsis (em inglês Tarshish) é hoje em dia aceita como sendo a ‘Tartessus’ ou ‘Tartessia’, na Ibéria.

O legado cultural dos judes ibéricos sobrevive até hoje em todos os lugares onde o português e o espanhol são falados. O legado judeu na língua portuguesa é o tema explorado por Jane Bichmacher de Glasman no seu cativante artigo.

A designação ‘criptojudeus’, que significa simplesmente ‘judeus secretos’, se aplica aos judeus convertidos que continuaram praticando secretamente o judaísmo, e, razão pela qual tornaram-se o alvo da Inquisição. Este é o tópico do artigo do renomado historiador espanhol Joseph Pérez. Na visão de Pérez, a Inquisição espanhola foi uma máscara ideológica empregada pelos reis católicos para aplacar as massas enfurecidas e a aristocracia, que se sentiram ameaçadas pela incipiente burguesia dos criptojudeus espanhóis.

Muitos judeus ibéricos se exilaram em outras partes da Europa e nas Américas. Um dos mais notórios foi Michael de Espinosa van Vidiger, pai do filósofo Benedictus Spinoza (1632-1677), um judeu português que se assentou na atual Holanda. O artigo de António Bento, nesta edição, é sobre a grafia original do nome de Spinoza, bem como sobre a localidade em Portugal de onde veio a família do filósofo.

Também no assunto dos exilados espanhóis nós oferecemos uma resenha do livro de 2007 de Henry Kamen intitulado ‘The Disinherited: Exile and the Making of Spanish Culture, 1492-1975’ (Os Deserdados: Exílio e a Formação da Cultura Espanhola, 1492-1975) por Mark Falcoff, pesquisador emérito do American Enterprise Institute, publicado inicialmente no jornal americano The Weekly Standard.

Sem dúvida a expulsão dos judeus da Espanha e de Portugal levou a um prolongado período de empobrecimento intelectual e econômico nesses dois países. Se é que nós aprendemos algo dessa lição da história é que existe certas perguntas de relevância que nós nunca devemos cessar de perguntar. Se a Inquisição foi uma máscara ideológica, que outros tipos de máscaras podem estar servindo a interesses encobertos? Qual é o custo para a sociedade do ato de ceder às massas e de falhar no exercício da tolerância e da inclusividade?