Jordan Peterson sobre a importância do diálogo entre campos opostos de pensamento e o pós-modernismo

Jordan Peterson sobre a importância do diálogo entre campos opostos de pensamento e o pós-modernismo

Joaquina Pires-O’Brien

Segundo Jordan Peterson, psicólogo clínico canadense, professor, e autor de 12 Regras para a Vida: Um antídoto para o caos, se quisermos mais segurança e menos tirania em nossa sociedade, devemos nos perguntar qual é o nosso dever moral a fim de obter isso. Esta postagem sumariza algumas ideias interessantes de Peterson, que retirei de uma de suas palestras no YouTube e do seu livro.

Como mostrou Peterson, a sociedade humana tem seu próprio conjunto de valores, mas cada um desses valores é válido apenas em determinadas circunstâncias. A sociedade humana também tem campos opostos de articuladores, defendendo subconjuntos predeterminados de valores, o que torna necessário o diálogo entre os mesmos. Como o tempo não pára e as coisas mudam, também os alvos perseguidos pela sociedade movem. Em outras palavras, os problemas da sociedade estão sempre mudando, o que é outra razão pela qual o diálogo entre os campos diferentes de articuladores é essencial.

Os dois campos de articuladores que existem hoje são geralmente rotulados como ‘esquerda e direita’. Para Peterson, o problema que atravanca a comunicação entre esses campos opostos de articuladores é o fato de que as pessoas percebem as coisas de maneira diferente, devido às suas propensões naturais e às suas circunstâncias familiares e educacionais. A esquerda acredita na ideia de que existe um imperativo moral de ser um ativista. A direita acredita na ideia de que para alguém ser útil é preciso ter um imperativo moral. São duas coisas diferentes.

Se você é um drop-out (desistente), provavelmente é um perdedor ou fracassado. A probabilidade mais certa é de que você seja inútil, preguiçoso, arrogante e ressentido. Há perdedores que pensam que são santos e há santos que pensam que são perdedores. Se você é um perdedor que pensa que é um santo, então você causará muitos problemas à sociedade. Muitas pessoas da geração dos anos 60 gostam de se imaginar como sendo o admirável rebelde. Entretanto, debaixo da fachada de revolucionário está uma incapacidade de enfrentar responsabilidades. As previsões das linhas de base e das tabelas atuariais mostram isso. O fato é que os admiráveis ​​rebeldes da geração dos anos 60 têm sido uma influência perniciosa na universidade, especialmente as humanidades, cuja influência vem se deteriorando desde então.

Uma sociedade funcional é uma que tem mais segurança e menos tirania. As sociedades humanas têm hierarquias de dominância, e, muitos tipos de animais também têm hierarquias de dominância, que são comportamentos selecionados para aumentar a sobrevivência. Na sociedade humana, as hierarquias dominantes têm sido bastante atacadas, e acusadas de serem tiranias. No entanto, existe uma diferença crucial entre as hierarquias de dominância dos humanos e dos outros animais: as dos humanos são baseadas em competência. Hierarquias de dominância baseadas em competência não são a mesma coisa que hierarquias baseadas em poder arbitrário, como o tipo de poder baseado puramente em termos econômicos. Essa sim é uma tirania. Quanto mais funcional a sociedade, mais a sua hierarquia de poder será baseada na competência em relação ao que a sociedade considera realmente valioso. É difícil atender a esses critérios perfeitamente, mas uma sociedade funcional precisa caminhar nessa direção. O indicador de sucesso número um em uma sociedade é a inteligência, e, assim sendo, faz sentido que as pessoas mais inteligentes ocupem as posições de maior complexidade em uma sociedade. As boas hierarquias, aquelas  construídas em torno da capacitação, fornecem segurança e são boas para a sociedade. O problema são as hierarquias degeneradas, que são verdadeiras tiranias. A pergunta que todos os cidadãos conscientes devem fazer é “qual é o nosso dever moral caso queiramos mais segurança e menos tirania?”

Para Peterson, a personalidade do indivíduo determina como ele percebe a hierarquia de poder com base na competência. O indivíduo do tipo autodisciplinado, que mira alto e alcança altos padrões, provavelmente não tem problema com esse tipo de hierarquia, mas o indivíduo que possui alguma limitação atravancadora de seu progresso, provavelmente tem. Esse tipo de pessoa possivelmente perceberá um elemento tirânico em padrões elevados, e os verá como injustos. As pessoas que pensam desse modo tendem a ter a ‘personalidade adversária’, segundo Peterson.

A existência de dois ou mais campos de articuladores não é o maior problema da sociedade. O maior problema da sociedade são os elementos radicais que existem neles. Um exemplo são os ideólogos do igualitarismo e da equidade, que são incapazes de perceber que as diferenças de posição entre as pessoas é coisa normal, e, que isso não é uma coisa tão terrível assim. Os não ideólogos também são um problema, quando se mantém afastados dos debates que ocorrem na esfera pública, especialmente quando não há desconforto em suas vidas profissionais e as coisas vão bem para eles.

Em 2017 Peterson resolveu pronunciar-se contra um projeto de lei no Canadá, o Bill C-16, criando uma obrigatoriedade legal das pessoas físicas e jurídicas (universidades, empregadores, senhorios) de se referir a indivíduos LGBTs utilizando os novos pronomes criados para acomodar suas situações particulares de gênero, por entender que tal legislação atropela o direito mais importante da livre expressão.  Embora Peterson tivesse deixado bem claro que ele não era contra o uso dos novos pronomes acomodadores de LGBTs e sim contra a obrigatoriedade legal de fazer isso, a esquerda radical do Canadá acusou-o de ser ‘bigoted’ (intolerante) e de pertencer à extrema direita, e organizou uma campanha sem trégua contra ele nas universidades. Em consequência disso, Peterson amargou uma espécie de processo administrativo dentro da Universidade de Toronto onde leciona. Segundo ele próprio, em 2017 o seu emprego na Universidade de Toronto foi ameaçado, causando enorme ansiedade para ele e sua família. Felizmente as nuvens que pairavam sobre a cabeça de Peterson se esvaneceram, o que provavelmente ocorreu em consequência do enorme suporte que recebeu, principalmente por parte de alunos moderados das universidades canadenses e americanas.

Em julho de 2017 Peterson anunciou seus planos de lançar um site que ajudaria alunos e pais a identificar e evitar cursos ‘corruptos’ com ‘conteúdo pós-moderno’. Ele espera que dentro de cinco anos, as salas de aula do Ocidente fiquem livres do ‘culto neomarxista pós-moderno’. Apesar de terem sido produzidas sem recursos especiais de iluminação e sem truques de imagem, as palestras, aulas e debates de Jordan divulgadas no YouTube e em podcasts já foram assistidas por cerca de 40 milhões de pessoas.

Peterson também passou a receber muitos convites fazer palestras e participar de debates em universidades e organizações de debate público como o Munk Debates de Toronto.  Entretanto, em todas as aparições públicas de Peterson, os protestos dos grupos radicais de esquerda são uma constante. Em uma de suas palestras na YouTube Peterson narra a sua experiência na Universidade McMaster, em Hamilton, Ontário (Canadá), na sexta-feira 16 de março de 2018. Ele havia sido convidado por um grupo de estudantes para participar de um debate sobre liberdade de expressão e correção política junto com três professores da mesma universidade. No entanto, devido aos protestos ocorridos no campus, os três debatedores locais desistiram de participar no evento. Peterson compareceu à sala designada para o debate e começou a falar, mas ninguém podia ouvi-lo por causa do barulho que os manifestantes faziam, cantando, tocando chocalhos e buzinando. Ele então saiu da sala e continuou falando de cima de um banco. Apesar da indignação sofrida, o ocorrido elevou o perfil de Peterson depois de ter aparecido no noticiário nacional e internacional. No início de 2018 Peterson publicou o seu livro de autoajuda 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos,  que logo virou um best-seller. O livro já foi traduzido para o português, como 12 regras para a vida: um antídoto do caos, e também por outras línguas (Leia a minha resenha em português).

Pela sua valentia e  enorme capacidade intelectual, Peterson finalmente ganhou o merecido reconhecimento. A ensaísta e crítica americano Camille Paglia o ungiu como “o mais importante e influente pensador canadense” desde Marshall McLuhan ”. A jornalista britânica Melanie Phillips escreveu que Jordan é “uma espécie de profeta secular… em uma era de conformismo lobotomizado”. O economista Tyler Cowen, da Universidade George Mason, colocou Peterson entre os cinco principais intelectuais públicos do mundo ocidental (Tyler Cowen, 23 de janeiro de 2018, às 12h45, na Current Arts Education Philosophy). David Brooks, do The New York Times, referiu-se a Peterson como “o intelectual público mais influente no mundo ocidental agora”.

 

P.S. Um tema que recebeu a atenção de Peterson em várias de suas palestras é o Pósmodernismo e a sua perniciosa influência na sociedade, de um modo geral, e nas universidades do Ocidente, em particular. Mas o Pós-modernismo invadiu também as universidades da franja do Ocidente, como a América Latina, embora é lamentável a omissão dos acadêmicos latino-americanos a respeito desse problema. Um dos 22 ensaios do meu livro O homem razoável (2016), o qual está disponível em edições Kindle e de papel, na Amazon.com (EUA), intitula-se ‘A que veio o Pós-modernismo?’ Peço aos leitores de língua portuguesa e espanhola que adquiram o meu livro me ajudem a divulgá-lo, pois nele há outros ensaios relacionados. Na minha próxima postagem eu vou publicar uma transcrição que fiz da palestra de Peterson sobre o pós-modernismo e seus efeitos no Canadá.

 

 

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A massa e a opinião pública

Joaquina Pires-O’Brien

Num artigo anterior eu abordei o tema da opinião-pública contido no provérbio ‘a voz do povo é a voz de Deus’, quando mostrei que o original latino ‘vox populi, vox dei’, havia sido usado pelo historiador romano Tito Lívio (59 BCE – 17 AD) em sua obra Ab Urb Condita Libri (Livros Desde a Fundação da Cidade de Roma), em que criticou o método da aclamação popular para a escolha dos tribunos do império. É óbvio que nos últimos dois milênios a conceituação de opinião pública evoluiu para acompanhar a evolução da cultura ocidental. Tal evolução inclui a maneira como a informação chega até as pessoas, assim como cada indivíduo forma a própria opinião. Num extremo da evolução histórica está a situação na qual as informações chegavam quase que exclusivamente por manuscritos e destinavam-se a um número restrito de indivíduos, e dessa forma, cada indivíduo formava sua própria ideia a respeito daquilo que interessava no momento. No outro extremo está a situação na qual as informações são destinadas a um número infinito de pessoas e chegam através da imprensa, rádio, televisão e pela internet. À primeira vista este fenômeno dá a impressão de que a moeda da opinião pública desvaloriza-se à medida que aumenta as oportunidades de comunicação. Entretanto, a análise mais profunda do mesmo fenômeno mostra outra interpretação. Em algum ponto do início desse fenômeno, a informação passou a ser empregada para controlar a massa. Quando isso ocorreu a opinião pública foi substituída pela opinião de massa, a qual não passa de um embuste, uma vez que a massa não pensa.

Embora a liberdade de opinião constitua um dos direitos humanos das sociedades democráticas, isso não significa que todas as opiniões sejam iguais. É inevitável que certas opiniões ganhem o consenso e passem a ter mais chances de serem ouvidas do que outras. Entretanto, o que as democracias liberais devem evitar é que a opinião pública genuína seja trocada pela opinião de massa, como ocorreu com o bolchevismo, o nazismo e o fascismo do século vinte. Esses movimentos foram verdadeiros ‘tsunamis’ sociais pois fizeram com que o espaço anteriormente ocupado por indivíduos passasse a ser ocupado pela massa. O espanhol José de Ortega y Gasset (1883-1955) e o alemão Theodor Adorno (1903-1969), foram dois grandes filósofos que viveram nessa época e que se esforçaram para compreender a opinião pública moderna.

Ortega y Gasset foi um dos primeiros a identificar a transformação da percepção de opinião pública. Ele tinha 46 anos de idade quando escreveu A Rebelião das Massas, publicado inicialmente no jornal madrileno El Sol, e como livro em 1930, mostrando que até o século dezenove, a opinião pública era formada quando uma maioria de razoável sensibilidade passou a buscar o conhecimento da minoria de elevado saber e a debater os mais diversos assuntos nos cafés e outros recintos públicos. Após o surgimento dos movimentos coletivistas, opiniões passaram a ser pré-fabricadas e distribuídas por atacado. Segundo Ortega y Gasset, foi aí que surgiu a sociedade circunstancial ao poder das massas e o homem-massa, o indivíduo cuja personalidade singular foi aos poucos substituída pela personalidade da massa. Ele define o homem massa como sendo um filisteu da cultura, um bárbaro de caprichos ilimitados e sem moral cuja personalidade assemelha-se à de uma criança mimada que pensa apenas nos seus desejos sem mostrar nenhum sinal de gratidão àqueles a quem deve sua própria existência.

Para Ortega y Gasset há dois tipos principais de indivíduos nas sociedades, o homem vulgar e o homem excelente. O homem vulgar é definido como sendo aquele não impõe sobre si próprio nenhum esforço voltado à busca da perfeição, pois já se sente satisfeito consigo mesmo, sendo ainda altamente suscetível à despersonalização e à aderência à onda do momento e ao grupo dos ‘homens-massa’. O homem excelente, ao contrário, impõe enormes demandas a si próprio incluindo tarefas difíceis e árduas responsabilidades. O aumento dos movimentos de massa do início do século vinte criou uma peculiar conjuntura social na qual a proporção de homens excelentes diminuía à medida que proporção de homens vulgares aumentava.

Adorno, o outro filósofo a se preocupar com o tema da opinião pública, testemunhou o coletivismo do Terceiro Reich e passou a ser um dos seus mais ferrenhos críticos, embora a sua admiração pelo Marxismo e pelo socialismo soviético o tivesse impedido de reconhecer os erros do coletivismo Soviético sob Stalin. No seu livro Dialectic of Enlightenment (Dialektik der Aufklarung) , publicado inicialmente em 1947, Adorno discutiu o surgimento da cultura de massa que havia sido possibilitada pelo rádio e pelo cinema. Para ele o melhor exemplo dessa cultura de massa era a própria ‘sociedade de consumo’ criada pela indústria publicitária. Entretanto, a cultura de massa vem com efeitos colaterais como a substituição gradual da individualidade pela pseudo-individualidade, a negação da biologia natural do homem e por ter feito dos judeus o bode expiatório dos percalços econômicos da Alemanha.

Apesar de profundas, as observações de Ortega y Gasset e de Adorno sobre a opinião pública não impediram que a genuína opinião pública continuasse a ser substituída pela cultura d e massa. O que faltava era uma visão ética capaz de definir a genuína opinião pública e o seu mecanismo. Quem se incumbiu dessa tarefa foi o filósofo e sociólogo alemão Junger Habermas (1929-) que incorporou as ideias de Adorno relativas à opinião pública e à cultura de massa e as incorporou na sua ‘teoria da ação comunicativa’, onde apresenta a discussão pública como a única maneira de superar os conflitos sociais através da busca de consensos e da cooperação.

No seu livro A Transformação Estrutural da Esfera Pública (Strukturwandel der Öffenlichet), inicialmente publicado em 1962, Habermas traça a origem histórica da ‘esfera pública’, ao aparecimento da ‘grande burguesia’, termo que emprega para descrever a classe média. Ele define a ‘esfera pública’ como sendo a esfera situada entre a sociedade civil e o estado cujos atores são os indivíduos que se reúnem para discutir a política bem como a mídia, através dos jornais de ampla circulação e da indústria da publicidade.

Habermas notou que a manipulação da esfera pública havia se tornado uma prática comum, fazendo com que as questões fossem resolvidas em climas de aclamação e não pelo debate construtivo e racional. Segundo ele, as decisões plebicíticas, como aquelas obtidas por aclamação, não constituem ‘opinião pública’ genuína. Outro tipo de manipulação da opinião pública ocorre quando um incumbente coloca sobre a mesa ofertas de cunho social-psicológico de alto poder apelativo. Outras situações propícias à despersonalização do indivíduo e à manipulação da opinião pública são a burocracia elevada, a ausência de estímulo educacional à autossuperação e a inexistência de igualdade de oportunidades nos cargos públicos e privados.

Num estado grande e burocratizado é muito difícil criar as condições de debate balanceado para se chegar a consensos, pois os indivíduos detentores do poder, como os servidores públicos com emprego vitalício e os oligarcas, não só se imiscuem no debate mas entram no mesmo com a opinião formada, sendo impermeáveis à racionalismos que vão contra suas agendas. É por isso que é importante reconhecer as características capazes de distinguir entre a esfera ‘pública’ e o ambiente da ‘massa’. Na esfera ‘pública’ há um equilíbrio entre o número de opiniões dadas e recebidas, enquanto que no ambiente da ‘massa’ o número de pessoas que expressa opinião é bem menor que o número de pessoas que recebe opinião. Na esfera ‘pública’ a comunicação é sempre pública, imediata e relevante enquanto que no ambiente da ‘massa’ a comunicação não é necessariamente ser pública, e tampouco é imediata ou relevante. Na esfera ‘pública’ há sempre uma possibilidade de uma ação efetiva, ao contrário do ambiente da ‘massa’ onde as ações são controladas por autoridades. Finalmente, a esfera ‘pública’ é autônoma e não sofre coação da autoridade, enquanto que o ambiente da ‘massa’ é infiltrado por agentes ou emissários das instituições de autoridade. Em resumo, conforme mostrou Habermas, a genuína ‘opinião pública’ somente é formada quando o palco do debate racional e crítico é a esfera pública e não o ambiente da ‘massa’.

Obras Citadas:

  1. Adorno, T. & Horkheimer, M. (1997). Dialectic of Enlightenment. Verso, London, 258p. Data da 1a edição em alemão: 1944.
  2. Habermas, J. (1989). The Structural Transformation of the Public Sphere. Polity Press, Cambridge, 301p. Data da 1a edição em alemão: 1962.
  3. Ortega y Gasset, J. (1930). La Rebelión de las Massas. Google electronic books.
  4. Pires-O’Brien, J. (2010). A Voz do Povo é a Voz de Deus? PortVitoria, 2, 3 p.(www.portvitoria.com/archive.html)

Agradecimento: Elaine Meireles, revisora.

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Nota. A autora é editora de PortVitoria, revista digital sobre a cultura ibérica no mundo.

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