Jordan Peterson sobre a importância do diálogo entre campos opostos de pensamento e o pós-modernismo

Jordan Peterson sobre a importância do diálogo entre campos opostos de pensamento e o pós-modernismo

Joaquina Pires-O’Brien

Segundo Jordan Peterson, psicólogo clínico canadense, professor, e autor de 12 Regras para a Vida: Um antídoto para o caos, se quisermos mais segurança e menos tirania em nossa sociedade, devemos nos perguntar qual é o nosso dever moral a fim de obter isso. Esta postagem sumariza algumas ideias interessantes de Peterson, que retirei de uma de suas palestras no YouTube e do seu livro.

Como mostrou Peterson, a sociedade humana tem seu próprio conjunto de valores, mas cada um desses valores é válido apenas em determinadas circunstâncias. A sociedade humana também tem campos opostos de articuladores, defendendo subconjuntos predeterminados de valores, o que torna necessário o diálogo entre os mesmos. Como o tempo não pára e as coisas mudam, também os alvos perseguidos pela sociedade movem. Em outras palavras, os problemas da sociedade estão sempre mudando, o que é outra razão pela qual o diálogo entre os campos diferentes de articuladores é essencial.

Os dois campos de articuladores que existem hoje são geralmente rotulados como ‘esquerda e direita’. Para Peterson, o problema que atravanca a comunicação entre esses campos opostos de articuladores é o fato de que as pessoas percebem as coisas de maneira diferente, devido às suas propensões naturais e às suas circunstâncias familiares e educacionais. A esquerda acredita na ideia de que existe um imperativo moral de ser um ativista. A direita acredita na ideia de que para alguém ser útil é preciso ter um imperativo moral. São duas coisas diferentes.

Se você é um drop-out (desistente), provavelmente é um perdedor ou fracassado. A probabilidade mais certa é de que você seja inútil, preguiçoso, arrogante e ressentido. Há perdedores que pensam que são santos e há santos que pensam que são perdedores. Se você é um perdedor que pensa que é um santo, então você causará muitos problemas à sociedade. Muitas pessoas da geração dos anos 60 gostam de se imaginar como sendo o admirável rebelde. Entretanto, debaixo da fachada de revolucionário está uma incapacidade de enfrentar responsabilidades. As previsões das linhas de base e das tabelas atuariais mostram isso. O fato é que os admiráveis ​​rebeldes da geração dos anos 60 têm sido uma influência perniciosa na universidade, especialmente as humanidades, cuja influência vem se deteriorando desde então.

Uma sociedade funcional é uma que tem mais segurança e menos tirania. As sociedades humanas têm hierarquias de dominância, e, muitos tipos de animais também têm hierarquias de dominância, que são comportamentos selecionados para aumentar a sobrevivência. Na sociedade humana, as hierarquias dominantes têm sido bastante atacadas, e acusadas de serem tiranias. No entanto, existe uma diferença crucial entre as hierarquias de dominância dos humanos e dos outros animais: as dos humanos são baseadas em competência. Hierarquias de dominância baseadas em competência não são a mesma coisa que hierarquias baseadas em poder arbitrário, como o tipo de poder baseado puramente em termos econômicos. Essa sim é uma tirania. Quanto mais funcional a sociedade, mais a sua hierarquia de poder será baseada na competência em relação ao que a sociedade considera realmente valioso. É difícil atender a esses critérios perfeitamente, mas uma sociedade funcional precisa caminhar nessa direção. O indicador de sucesso número um em uma sociedade é a inteligência, e, assim sendo, faz sentido que as pessoas mais inteligentes ocupem as posições de maior complexidade em uma sociedade. As boas hierarquias, aquelas  construídas em torno da capacitação, fornecem segurança e são boas para a sociedade. O problema são as hierarquias degeneradas, que são verdadeiras tiranias. A pergunta que todos os cidadãos conscientes devem fazer é “qual é o nosso dever moral caso queiramos mais segurança e menos tirania?”

Para Peterson, a personalidade do indivíduo determina como ele percebe a hierarquia de poder com base na competência. O indivíduo do tipo autodisciplinado, que mira alto e alcança altos padrões, provavelmente não tem problema com esse tipo de hierarquia, mas o indivíduo que possui alguma limitação atravancadora de seu progresso, provavelmente tem. Esse tipo de pessoa possivelmente perceberá um elemento tirânico em padrões elevados, e os verá como injustos. As pessoas que pensam desse modo tendem a ter a ‘personalidade adversária’, segundo Peterson.

A existência de dois ou mais campos de articuladores não é o maior problema da sociedade. O maior problema da sociedade são os elementos radicais que existem neles. Um exemplo são os ideólogos do igualitarismo e da equidade, que são incapazes de perceber que as diferenças de posição entre as pessoas é coisa normal, e, que isso não é uma coisa tão terrível assim. Os não ideólogos também são um problema, quando se mantém afastados dos debates que ocorrem na esfera pública, especialmente quando não há desconforto em suas vidas profissionais e as coisas vão bem para eles.

Em 2017 Peterson resolveu pronunciar-se contra um projeto de lei no Canadá, o Bill C-16, criando uma obrigatoriedade legal das pessoas físicas e jurídicas (universidades, empregadores, senhorios) de se referir a indivíduos LGBTs utilizando os novos pronomes criados para acomodar suas situações particulares de gênero, por entender que tal legislação atropela o direito mais importante da livre expressão.  Embora Peterson tivesse deixado bem claro que ele não era contra o uso dos novos pronomes acomodadores de LGBTs e sim contra a obrigatoriedade legal de fazer isso, a esquerda radical do Canadá acusou-o de ser ‘bigoted’ (intolerante) e de pertencer à extrema direita, e organizou uma campanha sem trégua contra ele nas universidades. Em consequência disso, Peterson amargou uma espécie de processo administrativo dentro da Universidade de Toronto onde leciona. Segundo ele próprio, em 2017 o seu emprego na Universidade de Toronto foi ameaçado, causando enorme ansiedade para ele e sua família. Felizmente as nuvens que pairavam sobre a cabeça de Peterson se esvaneceram, o que provavelmente ocorreu em consequência do enorme suporte que recebeu, principalmente por parte de alunos moderados das universidades canadenses e americanas.

Em julho de 2017 Peterson anunciou seus planos de lançar um site que ajudaria alunos e pais a identificar e evitar cursos ‘corruptos’ com ‘conteúdo pós-moderno’. Ele espera que dentro de cinco anos, as salas de aula do Ocidente fiquem livres do ‘culto neomarxista pós-moderno’. Apesar de terem sido produzidas sem recursos especiais de iluminação e sem truques de imagem, as palestras, aulas e debates de Jordan divulgadas no YouTube e em podcasts já foram assistidas por cerca de 40 milhões de pessoas.

Peterson também passou a receber muitos convites fazer palestras e participar de debates em universidades e organizações de debate público como o Munk Debates de Toronto.  Entretanto, em todas as aparições públicas de Peterson, os protestos dos grupos radicais de esquerda são uma constante. Em uma de suas palestras na YouTube Peterson narra a sua experiência na Universidade McMaster, em Hamilton, Ontário (Canadá), na sexta-feira 16 de março de 2018. Ele havia sido convidado por um grupo de estudantes para participar de um debate sobre liberdade de expressão e correção política junto com três professores da mesma universidade. No entanto, devido aos protestos ocorridos no campus, os três debatedores locais desistiram de participar no evento. Peterson compareceu à sala designada para o debate e começou a falar, mas ninguém podia ouvi-lo por causa do barulho que os manifestantes faziam, cantando, tocando chocalhos e buzinando. Ele então saiu da sala e continuou falando de cima de um banco. Apesar da indignação sofrida, o ocorrido elevou o perfil de Peterson depois de ter aparecido no noticiário nacional e internacional. No início de 2018 Peterson publicou o seu livro de autoajuda 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos,  que logo virou um best-seller. O livro já foi traduzido para o português, como 12 regras para a vida: um antídoto do caos, e também por outras línguas (Leia a minha resenha em português).

Pela sua valentia e  enorme capacidade intelectual, Peterson finalmente ganhou o merecido reconhecimento. A ensaísta e crítica americano Camille Paglia o ungiu como “o mais importante e influente pensador canadense” desde Marshall McLuhan ”. A jornalista britânica Melanie Phillips escreveu que Jordan é “uma espécie de profeta secular… em uma era de conformismo lobotomizado”. O economista Tyler Cowen, da Universidade George Mason, colocou Peterson entre os cinco principais intelectuais públicos do mundo ocidental (Tyler Cowen, 23 de janeiro de 2018, às 12h45, na Current Arts Education Philosophy). David Brooks, do The New York Times, referiu-se a Peterson como “o intelectual público mais influente no mundo ocidental agora”.

 

P.S. Um tema que recebeu a atenção de Peterson em várias de suas palestras é o Pósmodernismo e a sua perniciosa influência na sociedade, de um modo geral, e nas universidades do Ocidente, em particular. Mas o Pós-modernismo invadiu também as universidades da franja do Ocidente, como a América Latina, embora é lamentável a omissão dos acadêmicos latino-americanos a respeito desse problema. Um dos 22 ensaios do meu livro O homem razoável (2016), o qual está disponível em edições Kindle e de papel, na Amazon.com (EUA), intitula-se ‘A que veio o Pós-modernismo?’ Peço aos leitores de língua portuguesa e espanhola que adquiram o meu livro me ajudem a divulgá-lo, pois nele há outros ensaios relacionados. Na minha próxima postagem eu vou publicar uma transcrição que fiz da palestra de Peterson sobre o pós-modernismo e seus efeitos no Canadá.

 

 

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1968 numa casca de noz

1968 numa casca de noz

Joaquina Pires-O’Brien

O ano de 1968 deveria promover uma revolução contra o establishment. Como todas as revoluções, 1968 tinha um objetivo nobre, que era instilar uma sociedade mais livre e mais justa. Em retrospectiva, 1968 foi rebaixado de uma revolução para uma série de revoltas contra o patriarcado, a repressão social, o capitalismo e os modos de vida comuns rotulados como ‘burgueses’, assim como contra o imperialismo e a Guerra do Vietnã. Todavia, deixou consequências devastadoras para a sociedade, como se tivesse sido uma revolução.

Fios ideológicos e mentalidade

1968 foi o ápice das revoltas dos anos 60. A ideologia de 1968 era composta por vários fios ideológicos entrelaçados que incluíam o Romantismo, o existencialismo, o marxismo, a velha esquerda, a nova squerda e o Pós-Modernismo, bem como uma mentalidade específica contra guerras e uma fixação com a vida autêntica.

O movimento romântico foi uma revolta do século XIX contra a restrição clássica nas artes e os rigores da ciência, com origens nos séculos XVII e XVIII, especialmente na religião. O romântico quintessencial do século XIX foi Johan Gottfried Herder (1744-1803), o difusor da ideia do Volksgeist ou ‘o espírito do povo’, uma noção convincente de que cada nação tem uma cultura natural a qual resulta da necessidade interior de significado.

O existencialismo ou a filosofia da existência é também um produto do século XIX e gira em torno da ansiedade do ser e da busca da essência do ser. Seu principal fundador foi Søren Kierkegaard (1813-1855), que se deteve no processo histórico do eu. Outros articuladores do existencialismo são: Fiódor Dostoiévsky (1821-1881), Friedrich Nietzsche (1844-1900), Edmund Husserl (1859-1938), José Ortega y Gasset (1883-1955), Martin Heideger (1889-1976) e Jean-Paul Sartre (1905-1980).

O marxismo se refere à teoria socialista de Karl Marx (1818-1883), que foi construída sobre a dialética tripartite da filosofia da história do filósofo alemão Georg W. F. Hegel (1770-1831): tese, antítese e síntese. Na teoria socialista de Marx, a tese é a sociedade burguesa, que se originou do regime feudal em desintegração; a antítese é o proletariado, que se originou através do desenvolvimento da indústria moderna, este foi expulso da sociedade moderna por meio da especialização e degradação, por isso deve em dado momento se voltar contra ela; e a síntese é a sociedade comunista que resultará do conflito entre a classe trabalhadora e as classes proprietária e empregadora, ou seja, a harmonização de todos os interesses da humanidade após a classe trabalhadora tomar as instalações industriais.

A velha esquerda e a nova esquerda são ambas baseadas na doutrina socialista de Karl Marx, embora a nova esquerda tenha incorporado contribuições de outros socialistas como o filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937).

O principal objetivo da velha esquerda era apoiar a revolução operária que Marx havia profetizado; seus adeptos eram principalmente de comunistas pró-soviéticos, socialistas revisionistas, trotskistas, maoístas, anarquistas, etc.

A nova esquerda consistia de uma nova abordagem do pensamento marxista, na qual o paradigma revolucionário de Marx é substituído por uma resistência passiva do establishment, que incluía aceitar as rotinas burocráticas como meio de ocupação das instituições. O movimento mais significativo para a ideologia da nova esquerda foi a Escola de Frankfurt (1) que, em 1933, transferiu-se para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Esta ligação da Columbia com a Escola de Frankfurt é significativa, pois a Columbia tornou-se o epicentro cultural americano de 1968.

O Pós-Modernismo, cujos principais idealizadores são Michael Foucault (1926-1984), Jean-François Lyotard (1924-1998), Jacques Derrida (1930-2004) e Richard Rorty (1931-2007), consiste basicamente em uma desconfiança geral das grandes teorias e ideologias, bem como uma reação contra a modernidade e a negação do progresso. De acordo com a doutrina pós-modernista, não existe tal coisa como ‘conhecimento objetivo’ ou ‘conhecimento científico’, ou mesmo uma ‘melhor moralidade’, pois tudo é opinião, e cada tipo de opinião é tão bom quanto o outro.

Os intelectuais que inspiraram 1968

Como todas as outras revoltas da História, 1968 teve seus agitadores intelectuais. Os intelectuais mais proeminentes de 1968 vieram da França e da Alemanha, sendo os dois mais proeminentes Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Herbert Marcuse (1898-1979). Sartre e Marcuse se destacaram pela conexão com os estudantes universitários e com o público os quais estavam ansiosos com as incertezas da Guerra Fria. Poder-se-ia também argumentar que a razão dessa forte conexão era que os escritos de Sartre e Marcuse ressoavam bem com a mentalidade dominante da época.

Sartre popularizou sua própria versão do existencialismo, a qual incluía a noção de que o comunismo representava o desejo do povo e oferecia um modo de vida autêntico, em oposição ao modo de vida inautêntico encontrado no capitalismo. Marcuse popularizou uma espécie de socialismo que não exigia guerras, e poderia ser alcançado invadindo e ocupando as instituições do establisment. Também cabe a ele, a popularização do amor livre.

Sartre

Sartre disseminou uma espécie de existencialismo em que o significado e a autenticidade podiam ser ligados ao comunismo. Em 1960, fez uma viagem pela América Latina, acompanhada por sua parceira, a filósofa Simone de Beauvoir (1908-1986), que também era uma figura imponente entre os intelectuais franceses. O casal visitou Cuba, onde foi recebido por Fidel Castro e Che Guevara, então o seu Ministro da Fazenda. No Brasil, onde foi ciceroneado por Jorge Amado (1912-2001), Sartre discursou em diversas universidades e um de seus intérpretes foi o jovem Fernando Henrique Cardoso (nascido em 1931), futuro presidente do Brasil. Em 1964, Sartre foi agraciado com o prêmio Nobel de Literatura, o qual recusou alegando que se tratava de uma instituição ocidental e que aceitá-lo poderia ser percebido como tomar o lado do Ocidente no atual conflito do Oriente e Ocidente.

A abordagem de Sartre sobre o existencialismo estava focada na noção de vergonha ou na maneira como os outros o viam, sobre a qual ele não tinha controle. É desta reflexão que ele surgiu com a frase “o inferno são os outros”. O entendimento de Sartre sobre a liberdade era bastante particular, e, para ele, o caminho para a liberdade era mais importante que a própria liberdade. Assim, quando os manifestantes franceses tomaram as ruas e a polícia francesa respondeu com força, Sartre pregou uma contraviolência à violência da polícia. Embora os livros de Sartre fossem altamente considerados pela geração associada a 1968, ele estava enganado em relação ao comunismo e ao regime soviético. Sua vida pessoal não foi exemplar, como revelado em suas biografias.

Marcuse

Marcuse lecionou no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, que foi restabelecido na Universidade de Columbia, Nova Iorque, após seu fechamento pelos nazistas em 1933. Naquela época, ele fugiu para Genebra e de lá para os Estados Unidos, junto com seus colegas Max Horkheimer (1895-1973) e Theodor Adorno (1903-1969). Durante a Segunda Guerra Mundial, Marcuse serviu como oficial de inteligência e, na década de 1950, quando o Instituto de Frankfurt se mudou para a Europa, ele escolheu permanecer nos Estados Unidos e se naturalizar como cidadão americano. Em 1955 ele publicou Eros e Civilização, no qual combinou Freud e Marx para criar uma doutrina de libertação sexual e política ao mesmo tempo, e no qual ele introduziu o slogan “Faça amor, não faça guerra” no centro das revoltas dos anos 60. Marcuse se tornou uma celebridade aos 66 anos, com seu livro O homem unidimensional, de 1962, cuja palavra ‘unidimensional’ no título se refere ao achatamento do discurso, da imaginação, da cultura e da política na sociedade. Nesse livro, Marcuse sugeriu uma ruptura com o sistema atual, a fim de abrir caminho para uma ‘existência bidimensional’ alternativa. Tanto Eros e Civilização quanto O homem unidimensional ajudaram a promover a nova esquerda junto à população estudantil. Os pensamentos de Marcuse sobre a criação de uma sociedade emancipada, sem uma revolução socialista, são resumidos em Um ensaio sobre a libertação, publicado originalmente em 1969, e considerado um instantâneo do utopismo revolucionário na década de 1960.

O tipo de socialismo que Marcuse pregou foi uma completa negação da sociedade existente e uma ruptura com a história anterior que proporcionaria um modo alternativo de existência livre e feliz com menos trabalho, mais diversão e a redução da repressão social. Ele usou a terminologia marxista para criticar as sociedades capitalistas existentes e insistiu que a revolução socialista era a maneira mais viável de criar uma sociedade emancipada. Marcuse foi considerado um hedonista irresponsável por Erich Fromm (1900-1980)(2), o psicanalista e filósofo social americano que também era um refugiado alemão. A ingratidão de Marcuse em relação ao país que o recebeu como refugiado aparece em seus escritos, onde descreveu os Estados Unidos como ‘preponderantemente maligno’.

Os primeiros críticos das revoltas de 60: Aron and Habermas

Entre os primeiros críticos das revoltas dos anos 60, os dois mais significativos foram Raymond Aron (1905-1983) e Jürgen Habermas (1929). Tanto Aron quanto Habermas foram socialistas quando jovens e ambos estudaram o socialismo e Karl Marx em profundidade. Ambos continuaram a se descrever como membros da esquerda mesmo depois de se tornarem seus principais críticos, viam as massas como um caminho para o totalitarismo, e acreditavam que uma extensa reforma universitária poderia ser a solução para as agitações estudantis. Por último, mas não menos importante, ambos eram odiados pelos estudantes.

Em 1969, Aron publicou La Revolution Introuvable, traduzido para o inglês como The Elusive Revolution (A revolução elusiva), no qual ele se referiu aos eventos de maio de 1968, como um ‘psicodrama’ em que  “todos os envolvidos imitavam seus grandes ancestrais e desenterravam modelos revolucionários consagrados no inconsciente coletivo ”– uma referência à Revolução Francesa de 1789 e ao Reino do Terror que ela criou. O livro recebeu críticas negativas na França e nos Estados Unidos (2).

Habermas, que publicou dezenas de livros e ensaios, é o filósofo vivo mais importante da Alemanha. Embora tenha estudado no Instituto de Frankfurt, ele se afastou de sua influência marxista e criou sua própria escola de pensamento. Sua crítica às revoltas dos estudantes da década de 1960 é desenvolvida em alguns de seus ensaios, como ‘O Movimento na Alemanha’. Em seu livro de 1962 Strukturwandel der Öffenlicheit, que apareceu em inglês apenas em 1989, como The Structrual Transformation of the Public Sphere (A transformação estrutural da esfera pública), ele criticou muitas das teorias no centro das revoltas estudantis. Habermas apontou o papel especial das universidades como plataformas de debate da esfera pública e afirmou que os alunos mais radicais estavam tirando das universidades a possibilidade de discussão. Ele também reconheceu os novos movimentos ambientais que surgiram das revoltas dos anos 60.

O ‘nós e eles’ de 1968: uma estratégia de identidade

Os articulistas de 1968 criaram uma divisão social ‘nós e eles’, na qual os ‘nós’ ou ‘os participantes de 1968’ eram os mocinhos que pretendiam criar um mundo melhor, enquanto os ‘eles’ eram os bandidos, rotulados como ‘contrarrevolucionários’ ou ‘reacionários’. De fato, os ‘eles’ reacionários eram uma minoria, e uma melhor descrição deles é ‘a maioria silenciosa’, pessoas comuns que estavam ocupadas demais vivendo suas vidas comuns.

A razão subjacente para o ‘nós e eles’ divididos entre os engajados e os desengajados era criar uma identidade de grupo que pudesse servir ao objetivo político de obter poder através da ocupação de instituições. A mentalidade de 1968 deu identidade de grupo para os estudantes outrora rebeldes, e de tal identidade de grupo eles ganharam poder, pelo menos dentro da academia. A maior evidência disso são as guerras culturais dos anos 80 e 90 nos Estados Unidos. Embora existam indícios de conflitos acadêmicos semelhantes na Europa e em muitos países da América Latina, não há estudos críticos significativos disponíveis sobre o assunto.

Quando o filósofo britânico Roger Scruton escreveu Pensadores da Nova Esquerda em 1985, ele foi condenado ao ostracismo pelo establishment acadêmico na Grã-Bretanha, que pressionou a Longman House, sua editora, a retirar os exemplares desse livro das livrarias. Percebendo que não conseguiria outro emprego acadêmico na Grã-Bretanha, Scrutton decidiu fazer um novo treinamento como advogado e continuou sua carreira acadêmica fora da Grã-Bretanha. Durante esse tempo, Scruton reformulou o manuscrito original e adicionou seções a ele, produzindo o livro Fools, Frauds e Firebrands (Tolos, fraudes e militantes: pensadores da Nova Esquerda),  publicado em 2015; só então Scrutton foi levado a sério. Finalmente, na idade em que a maioria das pessoas se aposenta, Scruton tornou-se professor de filosofia na Universidade de Buckingham e, em 2016, foi sagrado cavaleiro (‘knight’) pela Rainha Elizabeth II, por serviços prestados à filosofia, ensino e educação pública.

Consequências sociais de 1968

1968 também é referido como ‘o longo ano’ porque seu espírito continuou. Suas revoltas pretendiam criar uma sociedade melhor, no entanto, apesar de suas boas intenções, 1968 teve várias consequências sociais não intencionadas, que vão do sufocamento do debate na esfera pública e a ampliação do populismo político, à fragmentação social resultante do multiculturalismo sem interculturalismo.

O populismo refere-se a ações deliberadamente planejadas para atrair a maioria das pessoas. Visto que o povo é reconhecido como sendo soberano em qualquer democracia, o populismo parece ser uma coisa boa. No entanto, não existe uma única vontade política atribuível ao povo, e o que o populista faz é enganar as pessoas para que acreditem de outra forma. Líderes políticos populistas são bem treinados na arte da persuasão. Um exemplo que ocorre com frequência é o de um candidato que persuade as pessoas de que ele merece confiança por ser uma delas, quando ‘ser uma delas’ significa simplesmente que ele não tem as habilidades certas de um administrador de Estado.

O multiculturalismo refere-se à doutrina de considerar cada indivíduo, e toda cultura da qual os indivíduos participam, como sendo igualmente valiosa. Embora aparentemente isso seja uma coisa boa, a aceitação de certas práticas culturais pode infringir os direitos humanos dos indivíduos, como exemplificado pela mutilação genital feminina (MGF) e o casamento de crianças.

A fragmentação social também é um fenômeno crescente nas democracias ocidentais. Em seu livro The Once and Future Liberal: After Identity Politic (O liberal/progressista de ontem e do futuro), Mark Lilla (nascido em 1956) ilustra o problema nos Estados Unidos, que pode ser inferido a partir do crescimento da política de identidade – que se refere a ativismos baseados em um único descritor unificador, como ser mulher, negra ou LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) –  criada para resolver o problema da exclusão social ou política. Para Lilla, ao manter as minorias separadas da sociedade dominante, a política de identidade não ajuda as minorias a ganhar poder político através da conquista de mais assentos no governo local. Embora o livro de Lilla se preocupe com a situação nos Estados Unidos, a política de identidade também é comum na América Latina.

A revolução estudantil de 1968 foi um movimento de massa, e, como todos os movimentos de massa, consistiu na ação de líderes instigadores e maltas de seguidores (o hoi polloi ou o populacho). Embora muitos dos líderes de 1968 acabaram por entender que os problemas sociais estão associados às idealizações da sociedade, as maltas de seguidores continuaram a sonhar com a sociedade ideal e a buscar intervenções sociais de um tipo ou de outro. Exemplos deste último são os grupos armados de esquerdistas que ainda vivem nas matas africanas e latino-americanas.

Levou quase cinquenta anos para que 1968 fosse adequadamente entendido. Infelizmente, tarde demais para evitar suas consequências sociais não intencionais.

Referências

Aron, Raymond. Thinking Politically: A Liberal in the Age of Ideology, New Brunswick, NJ, Transaction Publishers, 1997.

Habermas, Jürgen (1989). The Structural Transformation of the Public Sphere. Cambridge, Polity Press, 1992. Reprint of 2011.

Lilla, Mark. Once and Future Liberal: After Identity Politics. New York, Harpers, 2017.

Marcuse, Herbert. An Essay on Liberation. Boston, Beacon Press, 1969.

Scruton, Roger (1985). Fools, Frauds and Firebrands: Thinkers of the New Left. London, Bloomsbury, 2015.

 

Notas

  1. A Escola de Frankfurt, um movimento de sociologia inspirado no marxismo, também conhecido como ‘Teoria Crítica’. O movimento em si brotou do Instituto de Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung), que foi anexado à Universidade Goethe em Frankfurt, depois de ter sido fundado em 1923 por Felix Weil. Outros nomes associados à Escola de Frankfurt são: Friedrich Pollock, Max Horkheimer, Erich Fromm, Wilhelm Reich, Leo Lowenthal, Theodor Adorno e Walter Benjamin. Depois de 1933, os nazistas forçaram o seu fechamento, e o Instituto foi transferido para os Estados Unidos, onde encontrou hospitalidade na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Depois da Guerra, o Instituto foi restabelecido, e o membro mais notório dessa nova geração foi Jürgen Habermas, embora mais tarde ele tenha abandonado tanto o marxismo quanto o hegelianismo.
  2. Aqui está uma citação de Erich Fromm sobre a libertação sexual dos anos 1960: “O fato de que milhões de pessoas compartilham os mesmos vícios não torna esses vícios virtudes, o fato de compartilharem tantos erros não torna os erros verdadeiros, e o fato de que milhões de pessoas compartilham a mesma forma de patologia mental não torna essas pessoas sadias ”.
  3. Aron encontrou reconhecimento no final de sua vida, especialmente após a publicação de suas memórias, um mês antes de sua morte, em 17 de outubro de 1983.
  4. O presente artigo foi publicado na atual edição de Portvitoria.

                                                                                                                                                                   

Joaquina Pires-O’Brien é tradutora, ensaísta e ex-botânica e bióloga brasileira, residente na Inglaterra. O seu livro de ensaios O homem razoável (2016) foi também publicado em espanhol e encontra-se disponível na Amazon em edições brochura e Kindle. Em 2010 ela criou a revista digital PortVitoria, voltada para cultura ibérica no mundo, em inglês, português e espanhol.

 

 

Um partido de trabalhadores

Um partido de trabalhadores

O Partido Nazista, que governou a Alemanha entre 1933 e 1945, não era um partido de elites e sim um partido de trabalhadores. O seu nome por extenso é Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Uma vez no poder, o Partido Nazista levou o país à guerra e causou a morte de mais de 11 milhões de pessoas, incluindo cerca de seis milhões de judeus.

Em 1933, o ano em que Hitler chegou ao poder, dois filósofos alemães, Martin Heidegger (1889-1976) e Carl Schmitt (1888-1985), afiliaram-se ao mesmo. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando as atrocidades dos nazistas foram contabilizadas, nenhum dos dois mostrou arrependimento, mas mesmo assim foram reabilitados por certos intelectuais da extrema esquerda e extrema direita..

O fato do Partido Nazista ter sido um partido de trabalhadores não significa que os trabalhadores sejam pessoas más. Nas democracias do tipo ‘um cidadão um voto’, a classe dos trabalhadores, por ser a mais populosa, é também a mais poderosa politicamente. Muitos intelectuais e políticos inescrupulosos tentam tirar proveito disso bajulando os trabalhadores, bem como forjando heróis e inimigos do povo. Os trabalhadores podem evitar ser manipulados dessa forma procurando ser mais indivíduos e menos massa. É preciso pensar por si próprio, principalmente na hora de votar.

O homem médio brasileiro: razoável ou medíocre?

Joaquina Pires-O’Brien

O conceito do homem razoável no direito não é exclusivo da Inglaterra e do País de Gales, sendo também empregado noutros países do Ocidente. No Brasil, recebe a designação de ‘homem médio’. Embora o ‘homem médio’ seja atualmente empregado como sinônimo do ‘homem razoável’, os dois conceitos surgiram separadamente.

A ideia do homem razoável vem desde a Antiguidade. O correspondente da razoabilidade na antiga Grécia era a phronēsis (φρόνησις), ou sabedoria prática; o homem razoável da antiga Grécia era o homem de phronēsis. No seu livro Menon, Platão mostra um diálogo de Sócrates no qual este afirma que a phronēsis é o atributo mais importante para se aprender, embora não possa ser ensinado e tenha que ser adquirido através do autodesenvolvimento. Para Sócrates, o homem possuidor da phronēsis era aquele capaz de discernir como e por que agir virtuosamente e, ainda, encorajar essa virtude prática noutras pessoas.

A ideia do homem médio veio do matemático e astrônomo belga Adolphe Jacques Quételet (1796-1874), que a apresentou no seu livro Sur l’homme (1835, em inglês, A treatise on man and the development of his faculties, 1842). Nesse livro, Quételet imagina um indivíduo médio hipotético, que possui todas as qualidades possíveis do homem, embora em estado latente, e, que representa a mente do povo. Ele substancia a sua tese com uma grande quantidade de tabelas de características físicas e comportamentos observáveis.

Se o homem médio hipotético possui todas as qualidades possíveis do homem, como é o homem médio brasileiro? Quais são as suas qualidades? É razoável ou medíocre? Se razoável, como aproveitar melhor a sua razoabilidade? Se medíocre, como fazer para inculcar razoabilidade nele?

                                                                                                                                               

Joaquina Pires-O’Brien é editora da revista eletrônica PortVitoria (portvitoria.com) de generalidades, cultura e política. Em 2016 ela publicou o ebook O homem razoável e outros ensaios (2016), uma coleção de 23 ensaios sobre os mais diversos temas da civilização ocidental, disponível em todos os portais da Amazon. US$ 9.99.

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Alimento para pensar

Joaquina Pires-O`Brien

A frase ‘alimento para pensar’, uma tradução da frase em inglês food for thought, refere-se à nutrição da mente. Tudo aquilo que estimula novas ideias é ‘alimento para pensar’. A lista é vasta e inclui cinema, peças teatrais, concertos, palestras, museus, viagens, conversas com outras pessoas e as boas leituras. O pensar bem anda de mãos dadas com a cultura, e, em especial com a cultura do indivíduo, em contraposição à cultura de grupos sociais. A cultura em referência ao indivíduo refere-se ao conhecimento do melhor que já foi dito, pensado e criado no mundo, conforme definiu o poeta e crítico inglês Matthew Arnold (1822-88). A cultura de grupos sociais tem um sentido bem diferente, pois refere-se a conjuntos de comportamentos e valores.

Muitos ideólogos de esquerda consideram a alta cultura, que é a cultura caracterizadora do indivíduo, como uma forma de elitismo. O sufixo ‘ismo’ de elitismo implica num preconceito a favor da elite. Mas, o que é elite? Elite é simplesmente o segmento da sociedade formado pelos que a governam. O elitismo da cultura se caracterizaria numa sociedade onde as pessoas sem cultura são impedidas disputar eleições ou fazer concursos para cargos governamentais. No caso de eleições para cargos políticos, quando os eleitores dão preferência a um candidato culto sobre outro que é inculto, isso é uma prerrogativa do sistema democrático que não tem nada a ver com elitismo.

Rotular a cultura de elitismo não prova nenhum fato salvo a falta de lógica desse argumento, ao misturar as duas acepções de cultura que existem. As qualificações alta, média e baixa da cultura, que são análogas aos estágios da cultura, só se aplicam à cultura na sua acepção plural. Quando nos referimos à cultura de um indivíduo qualquer, só podemos dizer se é culto ou não. Nenhum indivíduo é impedido de cultivar a própria mente, seja qual for a sua posição social. Em outras palavras, não é preciso ser rico para ser culto.

                                                                                                                                               

Joaquina Pires-O’Brien acaba de publicar o ebook O homem razoável (2016), uma coletânea de 23 ensaios sobre temas como: o instinto da massa, a voz do povo, a aprendizagem ao longo da vida ou ALV, a utopia, as ‘duas culturas’, o pós-modernismo, religiões e crenças religiosas e o 9/11. O livro de JPO é disponível na www.amazon.com e noutros portais da Amazon ao redor do mundo. É também a editora fundadora de PortVitoria, revista digital sobre a cultura ibérica em todo o mundo, que sai duas vezes ao ano: <a href="http://www.portvitoria.com/”>www.portvitoria.com.

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A responsabilidade final é minha

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Joaquina Pires-O`Brien

A plaqueta acima com os seguintes dizeres: ‘the buck stops here’ (‘a responsabilidade final é minha’ ) entrou para a história pelo fato de ter sido exposta em cima da mesa de trabalho do Presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman (1884-1972) o qual ocupou esse posto de 1944 a 1953. A plaqueta foi um presente de seu amigo Fred A. Canfil, Chefe do Distrito Policial de Missouri o qual deparou-se com uma semelhante durante uma visita oficial ao Reformatório Federal de El Reno, em Oaklahoma. Ao ser informado de que a plaqueta havia sido confeccionada pelos internos, ele encomendou uma especificamente para presentear o Presidente.

Quando eu encontrei a expressão idiomática ‘the buck stops here’ pela primeira vez, julguei que a palavra ‘buck’ fosse uma forma abreviada de ‘bucket’ (balde), palavra empregada na expressão ‘to kick the bucket’ que tem um equivalente em português na expressão ‘chutar o balde’. Logo descobri que tal equivalência era restrita à tradução literal pois as expressões tem significados diferentes em inglês e em português. Enquanto que em português ‘chutar o balde’ significa ‘mandar às favas’, ou seja, ‘desistir de algo’, a expressão ‘to kick the bucket’ significa ‘bater as botas’, ou seja, morrer.

A tradução de ‘the buck stops here’ como ‘a responsabilidade final é minha’ requereu um malabarismo linguístico na troca de uma metáfora (buck) por uma palavra normal (responsabilidade). Determinada a encontrar uma metáfora em português para a palavra ‘responsabilidade’, eu revirei os meus apontamentos linguísticos e procurei em diversos sítios da internet. Encontrei ‘batata quente’ e ‘abacaxi’, usadas nas frases  ‘jogar a batata quente para outra pessoa’ e ‘deixe que outro descasque o abacaxi’. Entretanto, conclui logo que ‘batata quente’ e ‘abacaxi’ tinham mais a ver com ‘encargo’ do que com ‘responsabilidade’.

Já no inglês, a palavra ‘buck’ tem diversos outros significados como culpa, cavalo de saltar, o macho de certos animais de chifre, pinotear, etc. Veja na Tabela 1, a seguir, alguns exemplos.

Tabela 1. Expressões idiomáticas inglesas com a palavra ‘buck’.

Tradução para o português
the buck stops here a responsabilidade termina aqui
the buck stops with the boss a responsabilidade termina com o chefe
where the buck stops onde a responsabilidade para
buck up one’s ideas dar mais duro; esforçar-se mais
make a fast buck ganhar um dinheiro fácil
pass the buck to someone else jogar a culpa em outro

Fiquei extremamente desapontada por não ter encontrado no português uma metáfora para ‘responsabilidade’. Entretanto, encontrei no inglês diversas expressões idiomáticas de probidade administrativa. Falarei dessas numa  próxima postagem.

 Nota. Imagem da plaqueta tirada da Biblioteca Truman. Fonte: http://www.trumanlibrary.org/buckstop.htm

Leia a revista da cultura ibérica, PortVitoria, editada pela autora desta postagem.

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Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 5.300 vezes em 2015. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo