Sobre a cidade polonesa de Janiewiczach

Uma leitora brasileira cujo sogro é um imigrante polonês natural de Janiewiczach, perguntou-me se eu sabia em que ano essa cidade havia sido ‘invadida’ pela Ucrânia. O texto abaixo é o resultado da pesquisa que fiz para responder tal pergunta.

As referências à cidade de Janiewiczach são bastante difícieis de se encontrar na internet. Uma biografia do pianista polonês Jan Kleczyński (1837-1895), obtida na internet, consta que o mesmo nasceu em Janiewiczach, na Volínea ou Lodomeria (inglês:Volhynia; Volyns’ka oblast – de Volodymyr-Volynski). Outras designações de Janiewiczach são Włodzimierz, Volodymyr. A localidade é considerada uma das mais antigas da Rutênia (atual Ucrânia) e foi fundada em terras que antes pertenciam à Polônia. No ano 988 a cidade virou a capital do principado de Volínea ou Lodomeria (Volodymyr).

A Volínea (Volhynia) ou Lodomeria também já compôs o ducado ou principado de Galícia-Volínea (Halych-Volhynia), também na Rutênia, que posteriormente foi incorporado à Polônia. Galícia (Halych) era também o nome da principal cidade e capital, mas em 1256 o rei Daniel mudou a capital para Leópolis (L’viv) em homenagem ao seu filho Leo (Lev).

Após a primeira partição da Polônia em 1772, os nomes ‘Halych’ e ‘Volhynia’ foram latinizados para Regnum Galiciae et Lodomeriae, ou Galícia e Lodomeria. A Galícia passou para a Áustria e a Lodomeria para a Rússia.

A geografia da Galícia-Volínea consiste de uma área a oeste, situada entre os rios San e Wieprz, e uma área leste de brejos chamada Pripet. Ambas já haviam pertencido à Polônia, mas quando da reconstrução desta pelo Tratado de Versalhes, em 1918, apenas a Galícia (Halych) voltou a fazer parte do território polonês. A Lodomeria (Volhynia) foi alocada à Ucrânia, outro Estado criado pelo Tratado de Versalhes. A linha de partição cortou a Lodomeria (Volhynia) em duas, com a parte oeste na cidade de Lutsk (Luck). Entretanto, a alocação da Galícia e da Lodomeria à Polônia e Ucrânia não refleriu a realidade da condição social das duas regiões, cuja população maior consistia de poloneses.

A Revolução Bolchevique russa de 1917 criou o monstro da União Soviética, à qual a Ucrânia e diversas outras nações foram incorporadas. A Polônia resistiu à tentativa de incorporação pela União Soviètica, mas passou a sofrer constantes pressões sobre as suas fronteiras. Em 23 de agosto de 1939 a Alemanha e a União Soviética assinaram o Pacto Ribbentrop-Molotov de não agressão, então secreto. Segundo esse pacto, as tropas alemãs invadiriam a Polônia a oeste e a União Soviética faria o mesmo a leste. A invasão da Polônia pela Alemanha desencadeou a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, o Pacto Ribbentrop-Molotov foi desfeito quando a União Soviética sentiu-se ameaçada pela Alemanha. Apesar dos soviéticos terem se juntado aos aliados, o exército vermelho continuou a invadir a Polônia pela sua fronteira leste, aproveitando o fato de que quase toda a defesa da Polônia ficava na parte oeste. A Polônia fez uma corajosa tentativa de deter os soviéticos, mas sem sucesso. A invasão da soviética levou à chamada ‘quarta partição’ da Polônia, quando no fim de setembro de 1939, a União Soviética declarou que a Polônia não mais existia. Com o objetivo de fazer uma limpeza étnica na região, os soviéticos organizaram quatro ondas de deportações de poloneses. Apenas na segunda, cerca de 330 mil poloneses foram deportados para o Kazaquistão.

A situação da Polônia permaneceu desesperadora durante toda a Segunda Guerra, pois os poloneses tinham que combater não apenas a invasão nazista mas também os soviéticos e as milícias ucranianas que agiam em conluio com os invasores nazistas. O ataque maior ocorreu em 1941, quando a região da Galícia e Lodomeria (Halych-Volhynia), uma das mais populosas da Polônia, foi dizimada. No seu livro Danubia: A Personal History of Hapsburg Europe (2013) (leia a resenha em PortVitoria), Winder reconhece os motivos da exterminação da população dessa região, afirmando que um indivíduo podia ser morto ou expulso pelos mais diversos motivos, ‘por ser judeu, por ser polonês, por ser alemão, por ser rico, por ser pro-nazista ou pro-comunista’.

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, os aliados cederam à pressão da União Soviética e passaram para a Ucrânia uma gigantesca área do leste da Polônia. Tal área incluiu a maior parte da Galícia (Halych) e a porção da Lodomeria (Volínea; Volhynia) que a Polônia ainda possuía, incluindo as cidades de Leópolis (L’viv ou Lwow), Grodno (Hrodna), Lutsk (Luck) e Stanislaw (Stanislawow). A cidade de Wílnius (Wilno) Vilno, passou para a Lituânia.

Joaquina Pires-O’Brien

 

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Joaquina Pires-O’Brien é uma brasileira de Vitória residente na Inglaterra, de onde edita a revista eletrônica PortVitoria (<a href="http://www.portvitoria.com/“>www.portvitoria.com) de atualidades, cultura e política, e, centrada na cultura ibérica e sua diáspora no mundo. PortVitoria é estruturada em inglês mas os seus artigos e saem em inglês, português e/ou espanhol. Em 2016 ela publicou um livro de ensaios em e-book, intitulado O homem razoável, à venda no portal www.amazon.com.br (R$24). A versão em espanhol, El hombre razonable y otros ensayos, também está à venda nos portais da Amazon.

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Alimento para pensar

Joaquina Pires-O`Brien

A frase ‘alimento para pensar’, uma tradução da frase em inglês food for thought, refere-se à nutrição da mente. Tudo aquilo que estimula novas ideias é ‘alimento para pensar’. A lista é vasta e inclui cinema, peças teatrais, concertos, palestras, museus, viagens, conversas com outras pessoas e as boas leituras. O pensar bem anda de mãos dadas com a cultura, e, em especial com a cultura do indivíduo, em contraposição à cultura de grupos sociais. A cultura em referência ao indivíduo refere-se ao conhecimento do melhor que já foi dito, pensado e criado no mundo, conforme definiu o poeta e crítico inglês Matthew Arnold (1822-88). A cultura de grupos sociais tem um sentido bem diferente, pois refere-se a conjuntos de comportamentos e valores.

Muitos ideólogos de esquerda consideram a alta cultura, que é a cultura caracterizadora do indivíduo, como uma forma de elitismo. O sufixo ‘ismo’ de elitismo implica num preconceito a favor da elite. Mas, o que é elite? Elite é simplesmente o segmento da sociedade formado pelos que a governam. O elitismo da cultura se caracterizaria numa sociedade onde as pessoas sem cultura são impedidas disputar eleições ou fazer concursos para cargos governamentais. No caso de eleições para cargos políticos, quando os eleitores dão preferência a um candidato culto sobre outro que é inculto, isso é uma prerrogativa do sistema democrático que não tem nada a ver com elitismo.

Rotular a cultura de elitismo não prova nenhum fato salvo a falta de lógica desse argumento, ao misturar as duas acepções de cultura que existem. As qualificações alta, média e baixa da cultura, que são análogas aos estágios da cultura, só se aplicam à cultura na sua acepção plural. Quando nos referimos à cultura de um indivíduo qualquer, só podemos dizer se é culto ou não. Nenhum indivíduo é impedido de cultivar a própria mente, seja qual for a sua posição social. Em outras palavras, não é preciso ser rico para ser culto.

                                                                                                                                               

Joaquina Pires-O’Brien acaba de publicar o ebook O homem razoável (2016), uma coletânea de 23 ensaios sobre temas como: o instinto da massa, a voz do povo, a aprendizagem ao longo da vida ou ALV, a utopia, as ‘duas culturas’, o pós-modernismo, religiões e crenças religiosas e o 9/11. O livro de JPO é disponível na www.amazon.com e noutros portais da Amazon ao redor do mundo. É também a editora fundadora de PortVitoria, revista digital sobre a cultura ibérica em todo o mundo, que sai duas vezes ao ano: <a href="http://www.portvitoria.com/”>www.portvitoria.com.

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A responsabilidade final é minha

buckstopsherefrontsmall

Joaquina Pires-O`Brien

A plaqueta acima com os seguintes dizeres: ‘the buck stops here’ (‘a responsabilidade final é minha’ ) entrou para a história pelo fato de ter sido exposta em cima da mesa de trabalho do Presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman (1884-1972) o qual ocupou esse posto de 1944 a 1953. A plaqueta foi um presente de seu amigo Fred A. Canfil, Chefe do Distrito Policial de Missouri o qual deparou-se com uma semelhante durante uma visita oficial ao Reformatório Federal de El Reno, em Oaklahoma. Ao ser informado de que a plaqueta havia sido confeccionada pelos internos, ele encomendou uma especificamente para presentear o Presidente.

Quando eu encontrei a expressão idiomática ‘the buck stops here’ pela primeira vez, julguei que a palavra ‘buck’ fosse uma forma abreviada de ‘bucket’ (balde), palavra empregada na expressão ‘to kick the bucket’ que tem um equivalente em português na expressão ‘chutar o balde’. Logo descobri que tal equivalência era restrita à tradução literal pois as expressões tem significados diferentes em inglês e em português. Enquanto que em português ‘chutar o balde’ significa ‘mandar às favas’, ou seja, ‘desistir de algo’, a expressão ‘to kick the bucket’ significa ‘bater as botas’, ou seja, morrer.

A tradução de ‘the buck stops here’ como ‘a responsabilidade final é minha’ requereu um malabarismo linguístico na troca de uma metáfora (buck) por uma palavra normal (responsabilidade). Determinada a encontrar uma metáfora em português para a palavra ‘responsabilidade’, eu revirei os meus apontamentos linguísticos e procurei em diversos sítios da internet. Encontrei ‘batata quente’ e ‘abacaxi’, usadas nas frases  ‘jogar a batata quente para outra pessoa’ e ‘deixe que outro descasque o abacaxi’. Entretanto, conclui logo que ‘batata quente’ e ‘abacaxi’ tinham mais a ver com ‘encargo’ do que com ‘responsabilidade’.

Já no inglês, a palavra ‘buck’ tem diversos outros significados como culpa, cavalo de saltar, o macho de certos animais de chifre, pinotear, etc. Veja na Tabela 1, a seguir, alguns exemplos.

Tabela 1. Expressões idiomáticas inglesas com a palavra ‘buck’.

Tradução para o português
the buck stops here a responsabilidade termina aqui
the buck stops with the boss a responsabilidade termina com o chefe
where the buck stops onde a responsabilidade para
buck up one’s ideas dar mais duro; esforçar-se mais
make a fast buck ganhar um dinheiro fácil
pass the buck to someone else jogar a culpa em outro

Fiquei extremamente desapontada por não ter encontrado no português uma metáfora para ‘responsabilidade’. Entretanto, encontrei no inglês diversas expressões idiomáticas de probidade administrativa. Falarei dessas numa  próxima postagem.

 Nota. Imagem da plaqueta tirada da Biblioteca Truman. Fonte: http://www.trumanlibrary.org/buckstop.htm

Leia a revista da cultura ibérica, PortVitoria, editada pela autora desta postagem.

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Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 5.300 vezes em 2015. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

A revolução bolivariana. O perigo do conhecimento pequeno

O conhecimento pequeno é uma coisa perigosa. Beba do fundo ou sequer prove da fonte Pieriana, pois os goles rasos intoxicam o cérebro, e o beber farto nos torna sóbrios outra vez.” A. Pope, 1711

A antiga máxima de que ‘o conhecimento pequeno é uma coisa perigosa’ que Alexander Pope importalizou no seu poema ‘An Essay on Criticism ‘(Um ensaio sobre a crítica), foi validada recentemente por Hugo Chávez (1954-2013) através da Revolução Bolivariana deslanchada na Venezuela. A fim de explicar o perigo do conhecimento pequeno Pope buscou inspiração na lendária fonte do conhecimento de Piéria da mitologia grega, cujas nove nascentes representam as nove musas das artes ou ciências: Clio, Euterpe, Tália, Melpômene, Terpsícore, Érato, Polímnia, Urânia e Calíope, filhas de Zeus e Mnemósina. Apenas o verdadeiro conhecimento confere a sobriedade, mas para ganhá-lo é preciso beber da parte mais funda, a única capaz de conter a água das nove nascentes. Os que vão à fonte de Piéria mas bebem apenas da parte rasa ganham tão somente o conhecimento limitado, que embriaga o espírito com uma confiança infundada.

A Revolução Bolivariana de Chávez foi um catálogo de erros que tipificou o que Pope quis dizer quando afirmou que o conhecimento pequeno era algo perigoso. Apesar da precaríssima educação formal, o antigo paraquedista do exército venezuelano aprendeu sozinho os princípios da teoria político-econômica de Karl Marx e Friedrich Engels incluindo o jargão marxista que permitiu que interagisse com certas lideranças da Esquerda Internacional. Tais contatos certamente contribuíram para validar as suas aspirações políticas e em 1982, Chávez foi um dos fundadores do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR200) voltado a implantar o socialismo na Venezuela. Foi através deste que Chávez liderou o malogrado levante insurrecional de 4 de fevereiro de 1992 que fez com que fosse preso. Apesar de Chávez ter sido subsequentemente perdoado, a sua prisão fez dele um herói do povo e foi o seu bilhete para alcançar o poder político nas eleições de 1998.

A trajetória de Chávez ao poder também foi facilitada pela recessão econômica que a Venezuela vinha amargando há quase duas décadas devido ao baixo preço do barril de petróleo no mercado internacional. A Esquerda venezuelana regozijava-se com o cenário, afirmando que a má situação econômica era uma prova da falha do capitalismo e sua economia de mercado. Nos seus discursos de candidato Chávez fez bom uso da má conjuntura econômica apontando culpados e prometendo a redenção. Embora isso não seja importante depois do fato, é claro que os cidadãos mais sensatos ficaram alarmados com as tendências messiânicas de Chávez. Entretanto, Chávez não foi eleito por cidadãos sensatos mas por cidadãos mesmerizados que tampouco se preocuparam com a sua total falta de experiência governamental.

A Esquerda venezuelana teve outra grande oportunidade quando logo após a eleição de Chávez o preço do barril petróleo disparou. Em fevereiro de 1999 quando Chávez tomou posse do governo da Venezuela, o tesouro nacional já estava em franco crescimento. A recuperação econômica da Venezuela deu a Chávez uma oportunidade que os seus antecessores não tinham desde a década de setenta. Logo no seu primeiro governo Chávez começou a introduzir medidas iliberais como a interferência na liberdade de imprensa e a busca ativa de mais poderes para si próprio. Em 2002, Chávez foi destituído por uma junta militar após uma onda de violência entre ‘chavistas’ e opositores. Após um brevíssimo interregno de governos provisórios, Chávez recuperou o cargo. Nas eleições presidenciais de dezembro de 2006 Chávez foi reeleito com 63 por cento dos votos. Aproveitando o apoio da maioria da população Chávez deu início à socialização da Venezuela, nacionalizando as indústrias chaves e o que ainda havia em mãos privadas da indústria do petróleo. Em 2007, Chávez introduziu um projeto de mudanças constitucionais que foi rejeitado por uma margem estreita. Entretanto, a versão mais moderada mas que incluía a reeleição indefinida do cargo de presidente, introduzida em 2009, foi aprovada. Apesar de ter sido diagnosticado com câncer no final do seu mandato, Chávez concorreu e venceu a eleição presidencial de dezembro 2012, mas faleceu antes da data da sua inauguração. O seu vice, Nicolas Maduro (1962- ), assumiu a presidência e se comprometeu a levar adiante as políticas de Chávez.

A Revolução Bolivariana foi uma vitória de Pirro. Para conseguir a significativa redução na desigualdade da qual os chavistas se exultavam, Chávez gastou a absurda quantia de um trilhão de dólares. Com tal quantia era possível fazer com que todos os 29,3 milhões de habitantes da Venezuela ficassem ricos. Qualquer país que disponha de receita adicional, como ocorreu com a Venezuela devido ao salto do preço do petróleo, pode facilmente reduzir sua pobreza e encurtar as diferenças de renda entre os mais pobres e os mais ricos, sem ter que abrir mão das instituições garantidoras do equilíbrio dos poderes e da liberdade.

O disparo no preço do petróleo internacional foi uma contingência que poderia ter elevado a Venezuela a um dos grandes poderes das Américas. Mas no final, foi bom mesmo para a Esquerda venezuelana e para o próprio Chávez, que regozijou-se no seu papel de ídolo do povo. Não são poucos os peritos que acreditam que Chávez foi um desequilibrado. De qualquer forma, ele gastou mal o dinheiro da Venezuela, pagando um preço descomunal pela redução da desigualdade que obteve. Dezessete países Latino-Americanos conseguiram reduzir a desigualdade no mesmo período, gastando muito menos.

Dentre os muitos sintomas de distúrbios de personalidade que Chávez mostrou desde o início de sua trajetória política, o principal foi apresentar-se como um salvador da pátria, a fachada típica do delírio da falsa certeza. Chávez não foi um assassino de massas como Mao Zedong, Hitler ou Stalin, mas cometeu fraudes graves contra o povo venezuelano ao esbanjar recursos na sua Revolução Bolivariana bem como pela sua decisão de vender petróleo por um preço abaixo do mercado para seus cupinchas.

Os venezuelanos ainda terão que tolerar a deficiente política da Revolução Bolivariana até o final da gestão de Maduro em 2019. Felizmente o chavismo venezuelano perdeu parte do seu mojo após as eleições parlamentares de dezembro de 2015 o quando a coalizão União Democrática conquistou 99 cadeiras na Assembleia contra apenas 46 do partido Socialista de Maduro. A reação de Maduro à derrota nas urnas foi reafirmar a sua intensão de dar continuidade à Revolução Bolivariana. Tal afirmação dá mostra da obsolescente retórica empregada apenas pela ala mais inculta da Esquerda Internacional, da qual Maduro e outros tantos Latino-Americanos são meros vassalos. A Revolução Bolivariana na Venezuela foi um produto do delírio do pequeno conhecimento e uma lição para quem quer que queira aproveitar.
Continuar lendo “A revolução bolivariana. O perigo do conhecimento pequeno”

Sobrenomes usados por cristãos novos brasileiros processados pela Inquisição

De acordo com Flávio Mendes de Carvalho, autor do livro “As raízes judaicas no Brasil” uma boa parte da população do Brasil colonial era formada por judeus convertidos. Nesse livro Carvalho apresenta a seguinte relação dos sobrenomes de cristãos-novos, brasileiros ou residentes no Brasil, condenados pela Inquisição nos séc. XVII e XVIII e que constam nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa.

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Ávila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo B

Bacelar Balão Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirão Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Bragança Brandão Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhão

C

Cabaco Cabral Cabreira Cáceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrão Callado Camacho Câmara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Cárceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Cásseres Castenheda Castanho Castelo Castelo Branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Céspedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaço Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilhã Crasto Cruz Cunha D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faísca Falcão Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijão Feijó Fernandes Ferrão Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaça Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Francês Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvão Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilão Gil Godinho Godins Goes Gomes Gonçalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmão Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordão Jorge Jubim Julião

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leão Ledesma Leitão Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucão Loureiro Lourenço Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhães Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marçal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melão Mello Mendanha Mendes Mendonça Menezes Mesquita Mezas Milão Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morão Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixão Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proença

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarém Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrão Serveira Silva Silveira Simão Simões Soares Siqueira Sodenha Sodré Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Trindade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valença Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalão Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga

Fonte: http://www.coisasjudaicas.com/2009/05/sobrenomes-usados-por-cristaos-novos.html#axzz2VFOxZKwX

P.S.

Para mais informações sobre os judeus ibéricos leiam também a última nova edição da revista cultural PortVitoria, voltada à diáspora da cultura ibérica em todo o mundo: <a href="http://www.portvitoria.com“>http://www.portvitoria.com/

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Sobre os judeus ibéricos, conversos e a Inquisição

Editorial da nova edição de PortVitoria: http://www.portvitoria.com/index.html

Esta edição de PortVitoria é sobre os judeus ibéricos, assunto que tem aparecido na mídia desde 2014, quando Portugal passou uma lei concedendo cidadania para os descendentes das suas populações de judeus expulsos em 1497, e, cuja regulamentação foi aprovada no final de janeiro de 2015. Esse marco histórico foi capturado por Norman Berdichevsky, cujo artigo revisita as tentativas de Portugal de fazer reparações aos judeus durante o século XX.

‘Os judeus assentaram-se na península ibérica antes da chegada dos fenícios por volta de 900 AEC (Antes da Era Comum). Mercadores judeus assentaram-se ao longo da costa da Espanha durante o reinado do rei Salomão, quando essa região era chamada Tarsus, ou Tarshish.’ Isso é um trecho do artigo de Ivone Garcia, uma sinopse da história dos judeus da península ibérica, republicado do portal da Associação dos Criptojudeus das Américas.

Como resultado de novas descobertas em arqueologia e linguística, e de melhorias nos métodos analíticos, a história dos judeus está sendo reescrita a fim de se integrar ao sistema de história mundial. O livro ‘Out of Arabia. Phoenicians, Arabs and the Discovery of Europe’ (Saída da Arábia: Fenícios e Árabes e a Descoberta da Europa) de Warwick Ball, de 2009, resenhado nesta edição, também menciona que a localidade bíblica Társis ou Tarsis (em inglês Tarshish) é hoje em dia aceita como sendo a ‘Tartessus’ ou ‘Tartessia’, na Ibéria.

O legado cultural dos judes ibéricos sobrevive até hoje em todos os lugares onde o português e o espanhol são falados. O legado judeu na língua portuguesa é o tema explorado por Jane Bichmacher de Glasman no seu cativante artigo.

A designação ‘criptojudeus’, que significa simplesmente ‘judeus secretos’, se aplica aos judeus convertidos que continuaram praticando secretamente o judaísmo, e, razão pela qual tornaram-se o alvo da Inquisição. Este é o tópico do artigo do renomado historiador espanhol Joseph Pérez. Na visão de Pérez, a Inquisição espanhola foi uma máscara ideológica empregada pelos reis católicos para aplacar as massas enfurecidas e a aristocracia, que se sentiram ameaçadas pela incipiente burguesia dos criptojudeus espanhóis.

Muitos judeus ibéricos se exilaram em outras partes da Europa e nas Américas. Um dos mais notórios foi Michael de Espinosa van Vidiger, pai do filósofo Benedictus Spinoza (1632-1677), um judeu português que se assentou na atual Holanda. O artigo de António Bento, nesta edição, é sobre a grafia original do nome de Spinoza, bem como sobre a localidade em Portugal de onde veio a família do filósofo.

Também no assunto dos exilados espanhóis nós oferecemos uma resenha do livro de 2007 de Henry Kamen intitulado ‘The Disinherited: Exile and the Making of Spanish Culture, 1492-1975’ (Os Deserdados: Exílio e a Formação da Cultura Espanhola, 1492-1975) por Mark Falcoff, pesquisador emérito do American Enterprise Institute, publicado inicialmente no jornal americano The Weekly Standard.

Sem dúvida a expulsão dos judeus da Espanha e de Portugal levou a um prolongado período de empobrecimento intelectual e econômico nesses dois países. Se é que nós aprendemos algo dessa lição da história é que existe certas perguntas de relevância que nós nunca devemos cessar de perguntar. Se a Inquisição foi uma máscara ideológica, que outros tipos de máscaras podem estar servindo a interesses encobertos? Qual é o custo para a sociedade do ato de ceder às massas e de falhar no exercício da tolerância e da inclusividade?

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