O homem médio brasileiro: razoável ou medíocre?

Joaquina Pires-O’Brien

O conceito do homem razoável no direito não é exclusivo da Inglaterra e do País de Gales, sendo também empregado noutros países do Ocidente. No Brasil, recebe a designação de ‘homem médio’. Embora o ‘homem médio’ seja atualmente empregado como sinônimo do ‘homem razoável’, os dois conceitos surgiram separadamente.

A ideia do homem razoável vem desde a Antiguidade. O correspondente da razoabilidade na antiga Grécia era a phronēsis (φρόνησις), ou sabedoria prática; o homem razoável da antiga Grécia era o homem de phronēsis. No seu livro Menon, Platão mostra um diálogo de Sócrates no qual este afirma que a phronēsis é o atributo mais importante para se aprender, embora não possa ser ensinado e tenha que ser adquirido através do autodesenvolvimento. Para Sócrates, o homem possuidor da phronēsis era aquele capaz de discernir como e por que agir virtuosamente e, ainda, encorajar essa virtude prática noutras pessoas.

A ideia do homem médio veio do matemático e astrônomo belga Adolphe Jacques Quételet (1796-1874), que a apresentou no seu livro Sur l’homme (1835, em inglês, A treatise on man and the development of his faculties, 1842). Nesse livro, Quételet imagina um indivíduo médio hipotético, que possui todas as qualidades possíveis do homem, embora em estado latente, e, que representa a mente do povo. Ele substancia a sua tese com uma grande quantidade de tabelas de características físicas e comportamentos observáveis.

Se o homem médio hipotético possui todas as qualidades possíveis do homem, como é o homem médio brasileiro? Quais são as suas qualidades? É razoável ou medíocre? Se razoável, como aproveitar melhor a sua razoabilidade? Se medíocre, como fazer para inculcar razoabilidade nele?

                                                                                                                                               

Joaquina Pires-O’Brien é editora da revista eletrônica PortVitoria (portvitoria.com) de generalidades, cultura e política. Em 2016 ela publicou o ebook O homem razoável e outros ensaios (2016), uma coleção de 23 ensaios sobre os mais diversos temas da civilização ocidental, disponível em todos os portais da Amazon. US$ 9.99.

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Sobre o gênero ensaio e Montaigne

Um ensaio é uma composição literária relativamente curta sobre algum tema particular e que reflete a opinião pessoal do autor. É uma tentativa do autor de articular uma ideia principal, a qual é quase sempre acompanhada de ideias secundárias. Um ensaio de boa qualidade requer não apenas o conhecimento do tema tratado mas também de técnicas de argumentação e persuação.

O criador do ensaio como gênero literário foi o pensador francês Miguel de Montaigne (1533-92). Nascido no castelo de Montaigne, em Périgord, Montaigne recebeu uma educação humanista no Collège de Guienne em Bordeaux, e, em seguida, estudou direito. Após se formar, obteve um emprego no Parlamento de Bordeaux, onde atuou durante 13 anos como conselheiro da cidade. Em 1571, retornou a Périgord para tomar posse do castelo de Montaigne, quando passou a viver como um aristocrata do campo, visitando Paris frequentemente e fazendo um tour da Alemanha, Suíça e Itália. Em Périgord, Montaigne começou a escrever seus ensaios acerca de personalidades da época e sobre os locais onde visitou. Os seus ensaios eram ao mesmo tempo críticos e inspiradores e lhe trouxeram fama e reconhecimento. Uma tradução para o inglês dos seus ensaios foi publicada na Inglaterra em 1603, no livro Essays. Mas Montaigne não ficou muito tempo sendo apenas um aristocrata do campo. Aceitou um convite de amigos para concorrer ao cargo de prefeito de Bordeaux, e tendo se elegido, serviu de 1581 a 1585, quando retirou-se para a torre do seu castelo para escrever seus ensaios. Os ensaios de Montaigne são ricos e cativantes pelo fato dele juntar às suas descobertas acerca do mundo, as descobertas que fez acerca de si próprio. Veja a seguir três citações de Montaigne:

 

(1)

Francês: Pour juger des choses grandes et hautes, it faut une áme de même, autrement nous leur attribons le vice qui est le nôtre.

Inglês: To make judgements about great and lofty things, a soul of the same stature is needed; otherwise we ascribe to them that vice which is our own.

Português: Para julgar coisas que são grandes e elevadas, é necessário ter uma alma da mesma estatura, caso contrário imputamos a elas o vício que é nosso.

(2)

Francês: La plus grande chose du monde, c’est de savoir être à soi.

Inglês: The greatest thing in the world is to know how to be oneself.

Português: A maior coisa do mundo é saber ser você mesmo.

(3)

Francês: L’homme est bien insensé. Il ne saurait forger um ciron, et forge des dieux à douzaines.

Inglês: Man is quite insane. He wouldn’t know how to create a maggot, and he creates gods by the dozen.

Português:O homem é bastante insano. Ele não sabe como criar uma larva, e cria deuses às dúzias.

Por girar em torno de fatos e de críticas, o gênero ensaio mostra como construir uma narrativa integral e bem argumentada. A leitura de bons ensaios é um caminho seguro para aprender a escrever com lógica e clareza. Todas as línguas modernas da Europa têm seus ensaistas favoritos, como esses listados a seguior:

Inglês: William Hazlitt (1778-1830);

Alemão: Thomas Mann (1875-1950);

Italiano: Umberto Eco (1932-2016);

Espanhol: Miguel de Unamuno y Jugo (1864-1936);

Português: Ruy Bello (1933-78), Aurélio Buarque de Holannda Ferreira (1910-89);

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Joaquina Pires-O’Brien é editora da revista digital <a href="http://portvitoria.com/”>PortVitoria, sobre a cultura ibérica e ibero-americana no mundo. Ela acaba de publicar o ebook O Homem Razoável (2016), uma coletânea de 23 ensaios sobre temas intemporais e da contemporaneidade como a ‘grande conversação’, a utopia, a educação liberal, a liberdade, o totalitarismo e o contrato social, as ‘duas culturas’, o instinto da massa, a guerra das culturas, o pós-modernismo, a crença religiosa, o jihad islâmico e o 9/11. O livro de JPO é disponível em: www.amazon.com.

 

Negação de serviços por parte da Polícia Militar do Espírito Santo

No final da sexta-feira, dia 3 de fevereiro de 2017, a Polícia Militar do estado brasileiro do Espírito Santo começou uma negação de serviços alegando não poder furar o bloqueio humano formado pelas suas próprias esposas, filhos e outros familiares, que se posicionaram na entrada do seu quartel principal, no bairro de Maruipe. Foi um cenário foi montado para evitar que a negação de serviços fosse caracterizada como greve ilícita.

A continuação da negação de serviços por parte da Polícia Militar do Espírito Santo teve como consequência um surto de crimes que levou ao caos social. O governador em exercício do estado pediu ajuda ao governo federal, que enviou tropas do exército para fazer o policiamento do estado.

O saldo dos acontecimentos aponta a necessidade de um debate permanente na esfera pública sobre o papel da polícia. Tal debate deve incluir as alternativas de resolver disputas trabalhistas envolvendo seus membros.

                                                                                                                                               

Joaquina Pires-O’Brien é uma brasileira de Vitória residente na Inglaterra, de onde edita a revista eletrônica PortVitoria (<a href="http://www.portvitoria.com/“>www.portvitoria.com) de atualidades, cultura e política, e, centrada na cultura ibérica e sua diáspora no mundo. PortVitoria é estruturada em inglês mas os seus artigos e saem em inglês, português e/ou espanhol.

 

 

A revolução bolivariana. O perigo do conhecimento pequeno

O conhecimento pequeno é uma coisa perigosa. Beba do fundo ou sequer prove da fonte Pieriana, pois os goles rasos intoxicam o cérebro, e o beber farto nos torna sóbrios outra vez.” A. Pope, 1711

A antiga máxima de que ‘o conhecimento pequeno é uma coisa perigosa’ que Alexander Pope importalizou no seu poema ‘An Essay on Criticism ‘(Um ensaio sobre a crítica), foi validada recentemente por Hugo Chávez (1954-2013) através da Revolução Bolivariana deslanchada na Venezuela. A fim de explicar o perigo do conhecimento pequeno Pope buscou inspiração na lendária fonte do conhecimento de Piéria da mitologia grega, cujas nove nascentes representam as nove musas das artes ou ciências: Clio, Euterpe, Tália, Melpômene, Terpsícore, Érato, Polímnia, Urânia e Calíope, filhas de Zeus e Mnemósina. Apenas o verdadeiro conhecimento confere a sobriedade, mas para ganhá-lo é preciso beber da parte mais funda, a única capaz de conter a água das nove nascentes. Os que vão à fonte de Piéria mas bebem apenas da parte rasa ganham tão somente o conhecimento limitado, que embriaga o espírito com uma confiança infundada.

A Revolução Bolivariana de Chávez foi um catálogo de erros que tipificou o que Pope quis dizer quando afirmou que o conhecimento pequeno era algo perigoso. Apesar da precaríssima educação formal, o antigo paraquedista do exército venezuelano aprendeu sozinho os princípios da teoria político-econômica de Karl Marx e Friedrich Engels incluindo o jargão marxista que permitiu que interagisse com certas lideranças da Esquerda Internacional. Tais contatos certamente contribuíram para validar as suas aspirações políticas e em 1982, Chávez foi um dos fundadores do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR200) voltado a implantar o socialismo na Venezuela. Foi através deste que Chávez liderou o malogrado levante insurrecional de 4 de fevereiro de 1992 que fez com que fosse preso. Apesar de Chávez ter sido subsequentemente perdoado, a sua prisão fez dele um herói do povo e foi o seu bilhete para alcançar o poder político nas eleições de 1998.

A trajetória de Chávez ao poder também foi facilitada pela recessão econômica que a Venezuela vinha amargando há quase duas décadas devido ao baixo preço do barril de petróleo no mercado internacional. A Esquerda venezuelana regozijava-se com o cenário, afirmando que a má situação econômica era uma prova da falha do capitalismo e sua economia de mercado. Nos seus discursos de candidato Chávez fez bom uso da má conjuntura econômica apontando culpados e prometendo a redenção. Embora isso não seja importante depois do fato, é claro que os cidadãos mais sensatos ficaram alarmados com as tendências messiânicas de Chávez. Entretanto, Chávez não foi eleito por cidadãos sensatos mas por cidadãos mesmerizados que tampouco se preocuparam com a sua total falta de experiência governamental.

A Esquerda venezuelana teve outra grande oportunidade quando logo após a eleição de Chávez o preço do barril petróleo disparou. Em fevereiro de 1999 quando Chávez tomou posse do governo da Venezuela, o tesouro nacional já estava em franco crescimento. A recuperação econômica da Venezuela deu a Chávez uma oportunidade que os seus antecessores não tinham desde a década de setenta. Logo no seu primeiro governo Chávez começou a introduzir medidas iliberais como a interferência na liberdade de imprensa e a busca ativa de mais poderes para si próprio. Em 2002, Chávez foi destituído por uma junta militar após uma onda de violência entre ‘chavistas’ e opositores. Após um brevíssimo interregno de governos provisórios, Chávez recuperou o cargo. Nas eleições presidenciais de dezembro de 2006 Chávez foi reeleito com 63 por cento dos votos. Aproveitando o apoio da maioria da população Chávez deu início à socialização da Venezuela, nacionalizando as indústrias chaves e o que ainda havia em mãos privadas da indústria do petróleo. Em 2007, Chávez introduziu um projeto de mudanças constitucionais que foi rejeitado por uma margem estreita. Entretanto, a versão mais moderada mas que incluía a reeleição indefinida do cargo de presidente, introduzida em 2009, foi aprovada. Apesar de ter sido diagnosticado com câncer no final do seu mandato, Chávez concorreu e venceu a eleição presidencial de dezembro 2012, mas faleceu antes da data da sua inauguração. O seu vice, Nicolas Maduro (1962- ), assumiu a presidência e se comprometeu a levar adiante as políticas de Chávez.

A Revolução Bolivariana foi uma vitória de Pirro. Para conseguir a significativa redução na desigualdade da qual os chavistas se exultavam, Chávez gastou a absurda quantia de um trilhão de dólares. Com tal quantia era possível fazer com que todos os 29,3 milhões de habitantes da Venezuela ficassem ricos. Qualquer país que disponha de receita adicional, como ocorreu com a Venezuela devido ao salto do preço do petróleo, pode facilmente reduzir sua pobreza e encurtar as diferenças de renda entre os mais pobres e os mais ricos, sem ter que abrir mão das instituições garantidoras do equilíbrio dos poderes e da liberdade.

O disparo no preço do petróleo internacional foi uma contingência que poderia ter elevado a Venezuela a um dos grandes poderes das Américas. Mas no final, foi bom mesmo para a Esquerda venezuelana e para o próprio Chávez, que regozijou-se no seu papel de ídolo do povo. Não são poucos os peritos que acreditam que Chávez foi um desequilibrado. De qualquer forma, ele gastou mal o dinheiro da Venezuela, pagando um preço descomunal pela redução da desigualdade que obteve. Dezessete países Latino-Americanos conseguiram reduzir a desigualdade no mesmo período, gastando muito menos.

Dentre os muitos sintomas de distúrbios de personalidade que Chávez mostrou desde o início de sua trajetória política, o principal foi apresentar-se como um salvador da pátria, a fachada típica do delírio da falsa certeza. Chávez não foi um assassino de massas como Mao Zedong, Hitler ou Stalin, mas cometeu fraudes graves contra o povo venezuelano ao esbanjar recursos na sua Revolução Bolivariana bem como pela sua decisão de vender petróleo por um preço abaixo do mercado para seus cupinchas.

Os venezuelanos ainda terão que tolerar a deficiente política da Revolução Bolivariana até o final da gestão de Maduro em 2019. Felizmente o chavismo venezuelano perdeu parte do seu mojo após as eleições parlamentares de dezembro de 2015 o quando a coalizão União Democrática conquistou 99 cadeiras na Assembleia contra apenas 46 do partido Socialista de Maduro. A reação de Maduro à derrota nas urnas foi reafirmar a sua intensão de dar continuidade à Revolução Bolivariana. Tal afirmação dá mostra da obsolescente retórica empregada apenas pela ala mais inculta da Esquerda Internacional, da qual Maduro e outros tantos Latino-Americanos são meros vassalos. A Revolução Bolivariana na Venezuela foi um produto do delírio do pequeno conhecimento e uma lição para quem quer que queira aproveitar.
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O desagravo a Beroso

O desagravo a Beroso

Joaquina Pires-O’Brien

Em torno de 240 a.C., quando as cidades independentes da Grécia formaram a segunda Liga Aqueana (κοινὸν τῶν Ἀχαιῶν) e Roma lutava contra Cartago, o babilônio antigo já era uma língua morta embora ainda reconhecida. Foi nessa época que Beroso, um sacerdote caldeu do templo de Baal, na Babilônia, mudou-se para a ilha de Cos, na Ásia Menor (atual Turkia) onde escreveu uma trilogia em grego sobre a cultura da Babilônia, que ele dedicou a Antióquio I (c. 324–261 a.C.), monarca do reino seleucida(1) da Síria, que reinou entre 292 e 281 a.C., no leste, e de 281 a 261 em todo o país.

No seu primeiro livro, Beroso descreveu a terra da Babilônia, cuja civilização foi levada para Ipa pela divindade Oannes (Adapa), que era metade homem e metade peixe, bem como por outras divindades, incluindo ainda a lenda da criação e a sua versão da astrologia caldeia. Nesse livro, Beroso cita diversos trechos da ‘cosmogonia’ babilônica, a narrariva da criação do mundo, cujo autor seria a própria divindade Oannes. O segundo e o terceiro livros fornecem uma cronologia da história da Babilônia e da sucedânea Assíria, que começa com ‘os dez reis anteriores ao dilúvio’, passando à narrativa do dilúvio e a restauração da monarquia, com uma longa série de monarcas que reinaram ‘depois do dilúvio’, as ‘cinco dinastias’, finalmente a história mais recente dos assírios, o último reino da Babilônia, a invasão persa e a conquista de Alexandre o Grande. Mais uma vez podemos perceber os paralelos com a Bíblia hebraica na cosmogonia, no dilúvio e na preocupação com a linhagem dos reis.

Beroso ganhou o respeito dos estudiosos da Ásia Menor e da Grécia. Pensa-se que ele passou também um período em Atenas, onde uma estátua de cobre foi feita em sua homenagem. Apenas fragmentos da obra de Beroso sobreviveram. Todo o conhecimento sobre Beroso é indireto, e através das citações de Eusébio de Cesária, Flávio Josefo e Syncellus. Graças à essas citações, a literatura e a mitologia da antiga Babilônia, incluíndo a Assíria e a Caldéia, chegaram até o mundo clássico.

Infelizmente, o tempo passado não mais permite estabelecer como foi que todas as cópias dos três livros de Beroso desapareceram. Entretanto, a cosmogonia babilônica que Beroso explicou nos seus livos, e cujo exemplo mais bem conhecido é a narrativa do dilúvio babilônico, certamente comprometia a pretenção da Bíblia dos hebreus de ser um livro de autoria ou de inspiração divina, sendo um motivo para uma presumível sabotagem. E se foi esse o caso, Beroso foi vindicado pelas traduções dos textos em cuneiforme sobre a Babilônia, que confirmaram o que ele narrou em grego há mais de vinte séculos.

Notas
1 Seleucida. Palavra derivada de Seleucus, um dos generais de Alexandre o Magno, que após a morte deste em junho de 323 a.C., tornou-se rei das províncias leste do império alexandrino, sendo as principais a Síria e a Mesopotâmia. A Síria Seleucida incluia, além do Iraque e a Síria, o Afaganistão, o Irã e o Líbano, mais partes da Turquia, Armênia, Turcumenistão, Uzbekistão, e Tajikistão. O reino de Seleucus tinha duas capitais, ambas fundadas around 300 a.C.: Antióquia na Síria e Selêucia na Mesopotâmia.

2. Cf. os meus postings ‘A redescobera do babilônio’  e, no meu blog Mesa Redonda, Irving Finkel e a escrita cuneiforme’.


Joaquina Pires-O’Brien é editora da revista eletrônica PortVitoria (portvitoria.com) de generalidades, cultura e política. É autora de O homem razoável e outros ensaios (2016), uma coleção de 23 ensaios sobre os mais diversos temas da civilização ocidental, disponível na Amazon. US$ 9.99; Kindle $2.99.

Impressões da Islândia

O aeroporto fica em Keflavik, numa península sudoeste. Embora situado a uns 50 Km de Reiquiavique, é bem servido pelo transporte público. Logo na saída do aeroporto há um ponto de ônibuses. Chegando ao terminal central em Reiquiavique os passageiros que desejarem podem tomar mini-ônibuses até os diversos hotéis da cidade. O percurso inicia com uma paisagem natural formada pelos típicos campos de lava colonizados por musgos e plantas rasteiras e termina com uma parte urbana formada por várias cidades concatenadas e que fazem parte da Grande Reiquiavique. No hotel Marina onde nos hospedamos todos os funcionários falavam inglês fluente. Feito o checkin e tendo arranjado as nossas coisas no apartamento, e por volta das cinco e trinta da tarde saímos para explorar Reiquiavique pela primeira vez. Pedimos direções e seguimos a pé até o comércio, onde a maior parte das lojas ainda estavam abertas. E nos próximos sete dias, eu explorei sozinha Reiquiavique, participando de duas excursões turísticas, uma na cidade (Reykjavik Grand Excursion) e outra fora (The Golden Circle).

A primeira excursão é um passeio de três horas que cobre todas as atrações turísticas da cidade de Reiquiavique mais as zonas residenciais da periferia até uma vila de pescadores na costa. Reiquiavique (Figura 1) é uma cidade relativamente nova que cresceu ao redor do local onde em 871 d.C., Ingólfur Arnason, um fugitivo norueguês, assentou-se com sua família, denominando-o Reykjavi, que significa ‘baía de fumaça’, devido à grande quantidade de poços térmicos do local que liberam vapor d’água. Quando Reiquiavique ganhou status de cidade, em 1786, a sua população era de apenas 300 habitantes. O crescimento populacional de Reiquiavique ocorreu lentamente até 1940, quando tinha 38 mil habitantes. A atual população atual de Reiquiavique é de 120 mil habitantes. A população de toda a Islândia é de cerca de 322 mil habitantes, sendo que três quartos ficam na Grande Reiquiavique, atualmente com uma população de 200 mil.

View of Reykjavik from PerlanBuikding in Reykjavik's old harbourP1200370
Fotos: 1. Panorama de Reiquiavique; 2. Porto e Centro de Convenções; 3. Lago da Prefeitura.

Em termos de arquitetura o ponto mais relevante da cidade de Reiquiavique é a imponente igreja Hallgrímskirkja, a qual pode ser vista de quase toda a cidade, projetada pelo famoso arquiteto Guöjón Samuélsson. Em frente à ela há uma enorme estátua de Leifur Ericsson, o viking que descobriu a América cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo. Outro marco da arquitetura de Reiquiavique é o Centro Harpa de Concertos e Convenções, um maravilhoso prédio de vidro com colunas que representam as formações de basalto típicas da geologia islândica projetado por Olafur Elason. Em 2013 o Harpa ganhou o prêmio Mises van der Roche de arquitetura europeia.
Outra parte interessante de Reiquiavique é o antigo porto. Lá pode-se caminhar por quase todas as marinas, observar as embarcações, as montanhas e a própria cidade. E em toda a orla há calçadas lugar para pedestres e ciclovias.

As Piscinas Termais
As piscinas termais assim como os spas termais fazem parte da cultura islândica. Em Reiquiavique há seis piscinas termais públicas, a maioria ao ar livre. Elas servem ao ensino da natação nas escolas e à população em geral, e as pessoas as utilizam durante todo o ano. Embora chovesse e ventasse no dia que fui experimentar uma dessas piscinas termais que ficava mais próxima do nosso hotel, tive uma experiência agradabilíssima. A temperatura da água não era uniforme, havendo pequenas correntes mais quentes. Entretanto, assim que saí da piscina fui direto aos chuveiros e vestiário, pois o medo do frio não me deixou percorrer os cem metros de distância até a zona dos spas e da sauna.

O Círculo Dourado (The Golden Circle)
A segunda excursão (Golden Circle) que fiz foi de um dia todo e consistiu de três regiões de interesse, O Parque Nacional de Tingvellir é o local onde é possível visualizar, através de riftes e faltas geológicas o Parque Nacional de Tingvellir, as cataratas Gullfoss e os gêiseres Geysir, as placas continentais Norte-americana e Euroasiática, que se estendem numa linha enviesada dupla que vai do sudeste ao noroeste da Islândia. Esse também é o local do primeiro parlamento islandês criado a partir de 930 d.C., quando os líderes (chieftains) de cada grupo de agricultores se reuniam uma vez por ano e realizavam seções formais do Conselho da Lei (Lögrétta) presidido pelo porta-voz da Lei (Lögsögumadur), numa época em que não havia realeza ou nenhum poder central voltado a manter a paz. Nos conselhos anuais, decisões eram tomadas, crimes eram julgados e os condenados executados. As cataratas Gullfoss são duas, uma rio acima de 11 metros e altura, e outra mais abaixo de 21 metros de altura, sendo que a rocha do leito do rio foi formada durante um período interglacial. Ao sudoeste dessas cataratas fica o Geysir, uma área geotérmica repleta de nascentes e gêiseres. Embora o potencial de de energia hidrelétrica ainda esteja em estudo na Islândia, lá as fontes geotérmicas vêm sendo muito bem aproveitadas.

Estação Termoelétrica de Hellisheidi
Uma parada final extra dessa excursão foi para visitar a Estação Termoelétrica de Hellisheidi (ou Hellisheidarvirkjun), a maior das cinco da Islândia, que fornece energia para a Grande Reiquiavique. A termoelétrica de Hellisheidi cresceu enormemente desde que começou em 2006 com duas turbinas de 55 Megawatts de alta pressão. A sua produção atual é de até 400 Megawatts de energia térmica e 303 Megawatts de eletricidade.

Sobre a Geografia e da História da Islândia
A Islândia é a maior das ilhas vulcânicas da cumeeira do Médio Atlântico, onde as plataformas continentais americana e eurasiana se tocam. Essa peculiaridade geológica explica a enorme atividade térmica na ilha, que inclui cerca de 200 vulcões, gêiseres e fontes térmicas. A atividade dos vulcões é acompanhada pelos especialistas que conhecem bem quais os que estão para entrar em atividade. Em 2010 Em 2011 o vulcão Grimsvotn acordou e obrigou o fechamento temporário do aeroporto internacional da Islândia, e no ano anterior, em 2010, uma erupção de médio porte no vulcão Eyjafjallajökull‎ lançou tal quantidade de cinzas na atmosfera que diversos aeroportos em toda a Europa tiveram que fechar. Mas o fogo dos vulcões é apenas um dos elementos da geografia islândica. Outro elemento importante é o gelo. Devido à proximidade com o Ártico a Islândia tem também muitas glaciais e capas de gelo. A atividade térmica às vezes derrete o gelo das glaciais e das capas de gelo, fazendo com que os rios e lagos transbordem e causem inundações.

A Islândia assim como a Groenlândia e algumas ilhas que atualmente pertencem à Escócia foram colonizadas por povos viking, piratas originários da Escandinávia que entre 793 e 1066 costumavam atacar e pilhar a costa da Grã Bretanha e do reino dos francos. A Islândia era desabitada quando Ingólfur Arnarson, seu primeiro colonizador ali se estabeleceu. O nome Islândia, que quer dizer ‘Terra de Gelo’ foi dado por um predecessor dele após ter amargado um rigoroso primeiro inverno que matou todos os animais domésticos que havia trazido. A maioria dos primeiros colonizadores da Islândia veio da costa oeste da Noruega, mas houve diversos que eram de colônias viking nas Ilhas Britânicas. Mas a etnicidade islandesa é também formada pelo elemento celta, pois diversas esposas dos primeiros colonizadores eram irlandesas.

A língua falada na Islândia é o islandês, também conhecido como o velho nórdico, que era falado em toda a Escandinávia, Groenlândia e nas ilhas britânicas Orkneys, Sheatlands e Faröe ou Faroé. Muitas palavras do velho nórdico foram levadas pelos vikings dinamarqueses e noruegueses que costumavam ir à Grã-Bretanha fazer pilhagem, o que faz do inglês uma língua não só anglo-saxã mas também velho nórdica. Conforme uma pesquisa da Dra. Sara Pons-Sanz, linguista da Faculdade de Estudos Ingleses da Universidade de Nottingham, muitas palavras no inglês vieram do velho nórdico, como aquelas relacionadas na Tabela 1.

INGLÊS     VELHO NÓRDICO SIGNIFICADO
  anger   angr   raiva, agonia
  bloom   blóm   floração
  gale   gaile   vento frio
  happiness   happ   sorte
  house   hús   casa
  husband   hús + bóndi   casa + dono da casa
  ill   illr   doente
  kid   kip   filhote de bode
 law   lag   lei
  leg   legge   perna
  norse   noordsch   homem do norte
  ransack   rann-saka   dar busca numa casa (para fazer pilhagem)
  skaughter   sláter   carne de abatedouro
  sky   skie   nuvem
  window   vindayfa   olho de vento
  wing   vengr   asa
  wrong   rangr   injusto

Tabela 1. Exemplos da contribuição do velho nórdico ao inglês

Copiando o costume da Escandinávia, os islandeses organizaram um parlamento (lpingi) representativo da confederação (commonwealth) das quatro jurisdições islandesas, com líderes (godords) representantes de cada região que reunia-se em junho de todos os anos em Alpingi, Pingvellir. Nessa ocasião julgamentos eram feitos e execuções eram levadas a cabo. O encontro de junho também servia para colocar em dia as novidades de cada jurisdição e para a procurar de cônjuges.

Os primeiros islandeses davam muita importância à sua história, e procuraram preservá-la na memória oral e nas sagas compiladas nos séculos treze e quatorze. Esse acervo foi preservado graças aos esforços de Arni Magnússon, um colecionador de manuscritos nascido em 13 de novembro de 1663 em Kvennabrekka, no oeste da Islândia. Embora parte da coleção de Magnússon tenha se perdido no incêndio de Copenhagen de 1728, a maior parte dos manuscritos em pergaminho foi salva.

Em torno do ano 1000 a Islândia se converteu ao Cristianismo após uma decisão de ordem prática de Thorgeir Thorkelsson, o porta-voz da lei. A confederação da Islândia começou a se desmoronar e em 1220 as lideranças começaram a fazer planos para que a coroa da Noruega assumisse o governo do país. O processo de subjugação ao reino da Noruega foi atribulado por conflitos e concluiu-se em 1258 quando Gisssur Porvaldson tornou-se o conde da Islândia, a serviço do rei da Noruega. Durante o domínio norueguês, a capital da Islândia era Bergen, então a capital da Noruega. Em 1319 o reino da Noruega se uniu ao reino da Suécia, e a Islândia ficou sob as duas coroas. Em 1380 o reino da Noruega se juntou ao reino da Dinamarca, e nos próximos três séculos a Islândia passou a ser um protetorado da Dinamarca. Nesse período a Islândia sofreu com diversas erupções vulcânicas e com a arbitrariedade do governo da matriz.

Em 1814 a Suécia invadiu a Dinamarca e o tratado de Kiel resultante fez com que a Suécia saísse do domínio da Dinamarca e ganhasse a Noruega, e em contrapartida a Suécia reconheceu a soberania da Dinamarca sobre a Islândia, a Groenlândia e as Ilhas Faröe. Na Islândia, movimentos de independência surgiram em 1841 e em consequência dos mesmos a Dinamarca fez algumas concessões como a abertura dos portos da Islândia. No final do século a Islândia havia ganho o controle sobre o seu comércio exterior e em 1903 ganhou sua primeira constituição. Em 1918 a Islândia virou uma região autônoma mas ainda ligada à Dinamarca. Em 16 de Junho de 1944 a união com a Dinamarca terminou e a partir do dia 17 de Junho a Islândia passou a ser uma república.

Durante os primeiros anos logo após a Segunda Guerra Mundial a Islândia modernizou a sua agricultura e a sua indústria da pesca e colheu bons resultados com isso. Em 1949 a Islândia passou a ser um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e em 1951 uma base naval norte-americana foi instalada em Keflavik. Em 1952 a Islândia estendeu o seu território marítimo de três para quatro milhas e em 1975 estabeleceu o limite de 200 milhas de sua costa. A economia da Islândia cresceu vertiginosamente até 2008, quando ocorreu a crise mundial, quando caiu numa recessão que durou pouco mais de dois anos. A partir de 2010 a Islândia voltou a crescer e em 2012 o seu GDP per capita foi de 42.658 dólares, um dos maiores do mundo. Quanto à distribuição interna de renda medida pelo índice Gini do Banco Mundial, onde 0 representa um igualitarismo perfeito e 100 uma desigualdade perfeita, a Islândia apresentou um coeficiente de 28 em 2008, o que coloca esse país entre os melhores do mundo.

Apesar dos islandeses modernos se considerarem amigáveis ao meio ambiente, a Islândia possui muitos problemas ambientais causados no passado, principalmente pelo uso intensivo do seu frágil ambiente natural. Segundo Jared Diamond, a enorme demanda de lenha para fazer o carvão usado nas ferrarias contribuiu para o desaparecimento da vasta cobertura lenhosa que havia originalmente. Os exemplos de vegetação arbustiva-arbórea de bétulas (Betula spp.) e salgueiros (Salix spp.) que tive a oportunidade de ver no Parque Nacional de Tingvellir e na região Gullfoss e Geysir seriam relíquias da vegetação passada da Islândia. Em termos de biodiversidade atual, a flora da Islândia consiste de 172 espécies de plantas, e a fauna de um punhado de espécies de aves e peixes e alguns invertebrados e de mamíferos.

A depleção dos recursos florestais da Islândia explica porque o país se estagnou e permaneceu estagnado durante séculos. Os islandeses viviam inicialmente do pastoreio e do cultivo de algumas culturas resistentes ao frio como a cevada, a aveia, o centeio e o feno. Até a virada do século vinte a indústria da pesca era artesanal. Segundo o historiador Gunnar Karlson, durante o século dezesseis os ingleses é que pescavam com embarcações maiores na costa da Islândia, ganhando a experiência necessária para o poderio naval da Inglaterra no século seguinte. A pesca desenvolveu-se aos poucos e apenas no século vinte tornou-se a principal fonte de riqueza da Islândia. Hoje em dia os três itens que mais contribuem para a economia da Islândia são a pesca, as fundições de alumínio e o turismo.

Finalizando as minhas impressões sobre a Islândia, eu gostaria de registrar o quanto eu gostei da semana que lá passei em setembro passado. E por cima de tudo todos os islandeses com quem tive contato me pareceram instruídos, corteses e alguns até bem-humorados. Guardarei a lembrança do ar puro que respirei e da água gelada que bebi direto da torneira.

Referências
Diamond, Jared (2011). Collapse. How Societies Coose to Fail or Survive. Penguin Books, UK.
Karlsson, Gunnar (2000). A Brief History of Iceland. 2dn edition.Translated by Anna Yates. Mál of menning.

Nota. Leia PortVitoria, revista gital da cultura ibérica no mundo.

A democracia na balança

A democracia é a pior forma de governo que existe com exceção de todas as outras’. Winston Churchill

Quando o filósofo Sócrates afirmou que nada sabia a não ser a própria ignorância, ele demarcou o benchmark do verdadeiro sábio como sendo aquele que conhece as suas limitações. As instituições sociais, incluindo a própria democracia, também têm as suas limitações. É preciso ser um bom crítico para enxergar as limitações da democracia. Um exemplo é o escritor e pensador Albert Camus, que criou o benchmark da democracia quando escreveu que ‘a democracia é a forma de sociedade criada e mantida por aqueles que sabem que não sabem tudo’. Antes de chegar a este benchmark Camus enxergou o grande problema da democracia como sendo a sua ligação com a política, que é limitada pela parcialidade.

O cientista político norte-americano Francis Fukuyama, um dos peritos mundiais em democracia, afirmou que apesar de já existir um consenso global sobre a legitimidade da democracia liberal, esta última depende de determinadas condições socioeconômicas, principalmente de uma classe média forte. Fukuyama definiu a classe média como sendo aquela formada por pessoas que não estão nem no topo nem na parte inferior de suas sociedades em termos de renda, que completaram o segundo grau e possuem bens imóveis ou os seus próprios negócios.

O fato de existir um consenso global sobre a legitimidade da democracia liberal não significa que todos os países tenham bons críticos da democracia. E o olho crítico e a cautela são essenciais para perceber a tempo as infecções da democracia que podem eventualmente destruí-la. Nos países onde a democracia ainda é relativamente nova muitas pessoas se dizem democratas, mas poucas têm uma visão crítica do processo democrático em constante mutação.

As boas democracias não são criadas pelo número de eleitores mas pelo espírito de cidadania onde os cidadãos desconfiam das certezas absolutas e passam a enxergar melhor a ameaça da demagogia. A hiperdemocracia, aquela formada em torno do número de eleitores e cuja maioria esmaga as minorias, é uma democracia doente, conforme identificou o pensador espanhol Ortega y Gasset. As boas democracias respeitam os direitos de todos, inclusive das pessoas que não apoiam os atuais governantes. Não é nenhuma coincidência que os países com uma longa tradição democrática como os Estados Unidos, o Canadá, a Grã-Bretanha, a Alemanha, a Dinamarca, a Noruega, e a França entendam bem a importância de transformar os eleitores em cidadãos.

A educação para a democracia consiste de um roteiro de estudos que inclui a história da democracia desde o seu aparecimento na antiga Grécia até as suas formas mais desenvolvidas bem como o ensino dos processos democráticos como a constituição e as leis. Tal roteiro de estudos tanto pode ser incorporado ao ensino formal das escolas públicas e privadas quanto ser oferecido através de palestras ao público promovidas pela sociedade civil. O objetivo da educação para a democracia é formar o cidadão crítico, aquele que pensa e age independentemente, que enxerga e respeita o interesse comum, e que entende que a democracia não é um fim, mas um meio de garantir a liberdade de cada indivíduo.

Recapitulando, a democracia e todos os seus aspectos precisam ser permanentemente colocados numa balança para avaliação. Criticar a democracia não significa ser inimigo da mesma; significa desconfiar das visões de democracia que são incapazes de reconhecer limitações; significa também questionar e apresentar boas razões para as dúvidas levantadas. A boa crítica da democracia é necessária para evidenciar eventuais inconsistências e ajudar a encontrar as soluções para os ajustes necessários.


Post Script. Frases do Ministro Joaquim Barbosa do STF sobre a democracia do Brasil, na proposta que submete ao Congresso as decisões do Supremo Tribunal Federal:

“Somos o único caso de democracia no mundo, na qual condenados por corrupção legislam contra os juízes que os condenaram.”

“Somos o único caso de democracia no mundo, na qual as decisões do Supremo Tribunal podem ser mudadas por condenados.”

“Somos o único caso de democracia no mundo, na qual deputados, após condenados, assumem cargos e afrontam o judiciário.”

“Somos o único caso de democracia no mundo, na qual é possível que condenados façam seus habeas corpus ou legislem para mudar a lei e serem libertos.”

Recebida de CJBorges


Agradecimento: Carlos Pires, revisor